sábado, 21 de julho de 2012

E UM DIA EU ESTAVA EM HOGWARTS


“E um dia eu estava em Hogwarts”
@Um_Bruxo
CAPÍTULO 1:
Não havia som algum. A atmosfera estava coberta de uma neblina de aspecto estranho. Não chegava a ser líquida, mas também não era gasosa. Não era possível enxergar quase nada. Quase tudo azul. Somente uma figura chamou a atenção de Rupert: um chapéu, chapéu de bruxo. Um homem com uma grande barba branca e os olhos exageradamente azuis. Era Dumbledore. Por mais que andasse na atmosfera azul, um azul idêntico aos olhos do bruxo, diga-se de passagem, Rupert não saía do lugar. De repente, o bruxo veio ao seu encontro. Dumbledore estava indo ao seu encontro! Que esplêndido, pensaria o potteriano. Mas não naquela situação. Havia algo errado. De repente, Dumbledore, já na sua frente, fitou-o e disse:
-Nos vemos em breve. - Dumbledore sumiu, a atmosfera estranha sumiu. Tudo sumiu. Rupert acordou assustado. Em um pulo, mas acordara. Fora tudo um sonho. 
Em sua frente, o espelho, coberto de pôsters da sua saga predileta e de imagens das “Relíquias da Morte”, ainda tinha um pequeno espaço descoberto e era neste espaço que Rupert via seu reflexo todas as manhãs: seus cabelos pretos, seus olhos castanhos, sua estatura média, seu corpo magro. Aquele era Rupert. O fã de Harry Potter, como todos o conheciam. O potteriano Rupert.  Como toda manhã, seguindo sua rotina insuportavelmente trouxa, ele vestiu seu uniforme escolar, deu um beijo no maior pôster da Emma Watson que qualquer ser humano poderia imaginar estar pendurado num quarto e desceu. As escadas, como era de se esperar, não continham nenhum armário e na parede da cozinha não tinha nenhum relógio mágico. Mas havia sua mãe, a incompreensível, porém amada mãe. “Esse Harry Potter de novo?” sempre perguntava a mãe, mas ela era trouxa, então, estava tudo bem.
-Dormiu bem, meu filho?-perguntou a mãe, colocando café numa xícara com a foto de Rupert Grint.
-Sim, mãe. Xícara maneira.
-Preparei pra você. Afinal, você era do tamanho de uma ervilha e eu pensei no seu nome. Por ironia do destino, está você, aí, fã de uma pessoa com mesmo nome.
-Pra mim, esse tal de “Réuri Poti” é coisa de veadinho. -disse o pai. Sempre incompreensível. Pra ele, a vida do filho tinha que ser “como a dos outros garotos”. Futebol, garotas, vídeo game. Mas o menino só vivia para uma história infantil. Ele já estava com 16 anos! Mesmo que Rupert tivesse 14, o pai desconhecia. Sempre fora assim. Trabalho e mais trabalho. Como estava sendo naquele exato momento. Ao invés de passar o café da manhã com a família, ele saiu logo após a chegada do filho na cozinha.
Após o café, Rupert pegou seu ônibus trouxa, entrou na sua escola trouxa, conversou com seus colegas trouxas, “avadou” mentalmente sua professora, que também era trouxa. Desejou realmente encontrar a entrada pra Câmara Secreta no banheiro, durante o intervalo, mas o máximo que conseguiu foi escutar FUNK, saído do celular de um aluno do primeiro ano. Esta era sua vida. Sua vida, é claro, e infelizmente esta era a verdade, trouxa. Até ali, nada de mais. Até que algo não muito comum aconteceu: Rupert lembrara-se do sonho. O Sonho. Dumbledore estava no sonho, que parecia tão real, mas ao mesmo tempo tão, tão, qual era a palavra? Mágico! Isto. História legal para ser contada no seu FC no twitter, durante a tarde. Mas esta não era uma simples história. Era algo muito estranho. Ele estava pirando, é verdade, mas pessoas loucas tinham sonhos tão estranhos como aquele? Não. Ele achava que não. Então, sem pensar, resolveu escrever. Pegou seu caderno de anotações potterianas, como ele chamava, que estava sempre com ele e resolveu escrever sobre seu sonho.
As páginas estavam em branco. Como? Ele pensou. Mas nenhuma resposta foi aceitável. Não foram aceitáveis as suas atitudes, procurando anotações inexistentes em plena sala de aula. A professora não havia gostado de nada daquilo. Diretoria. Ah! A tão conhecida diretoria. Fora pra lá várias vezes, sempre pego com um exemplar de “Harry Potter” por trás dos livros de matemática, história, geografia... Mas naquele dia? Justo naquele dia? No dia em que Dumbledore falara com ele e que seu caderno havia apagado todas suas anotações? Sem contar no tédio anormal que a escola trouxa estava causando nele. Tudo, menos a diretoria. Mas não houveram desculpas. O caminho era conhecido, mas um gato preto na janela do corredor não. A escola era antiga, tinha uma arquitetura antiga, e tudo isto contrastou com um gato, fitando estranhamente Rupert do parapeito da janela.  Mais um item para a lista de coisas estranhamente anormais daquele dia. Resumindo: Rupert levara uma detenção, saiu da escola, não quis ir pra casa e parou numa praça próxima da cidade.
Se não fosse assustadora e se Rupert não tivesse com preocupações demais naquele dia, a cena seria bizarra: uma praça vazia, um garoto de “All Star”, uma camiseta com o símbolo das “Relíquias da Morte” e uma mochila jorrando livros pra todos os lados á tira colo sentado num banco sujo. O que era aquilo? Que dia era aquele? Tudo passara tão rápido, desde o sonho. Tudo fora tão intenso ao mesmo tempo. E o dia estava recém na metade. Tão rápido quanto o dia, o momento a seguir passou: um estalo e de repente um homem com uma estranha aparência estava ao seu lado. Rupert dormira? O que havia acontecido? As palavras vieram num ímpeto: ele aparatara. Não Rupert, o estranho homem, é claro. Mas como? Isto era possível? Ele estaria sonhando?Esta pergunta voltou á sua cabeça novamente. E logo sumiu quando o estranho homem falou:
-Convivendo com trouxas, garoto?
-Hã?- respondeu Rupert, atordoado.
-Não precisa fingir pra mim. Eu sou um também. Reconheci pela sua camiseta. Coragem a sua, usar o símbolo de um bruxo tão malvado.
-Não entendo do que o senhor está falando. –Mas no fundo o garoto entendia. O homem era potteriano também. E ele preferia acreditar nisso. Outra hipótese não era possível. Afinal, era tudo coincidência. Os fatos estranhos eram coincidência e obra da imaginação fértil abalada por um sonho. Só um sonho. Era óbvio que esse homem não era um bruxo mal-informado, era um potteriano com uma idade avançada. E só.
-Claro que entende. Não precisa fingir, garoto. Já falei. Somos bruxos, vivendo entre trouxas, como algumas raras famílias fazem, temendo a volta de você-sabe-quem. Você bem sabe que o mundo trouxa seria abalado por último no caso da ascensão daquele-que-não-deve-ser-nomeado.
-Eu já falei, eu não entendo. Se o senhor não parar de falar assim comigo, eu vou embora.
-Seus pais não te explicaram?
-O que? Que eu deva dar papo para velhos malucos na rua?
-Sobre o mundo dos bruxos? Você foi criado como trouxa, mas sabe das suas origens, não sabe?
-Isto tudo é uma tremenda loucura. Passar bem.
-Pobre garoto, vivendo sem saber o que é. – Estes foram os resmungos do velho, que só agora Rupert percebera, era um mendigo. Ele passava de banco em banco, ora ia, ora voltava, e assim ficou. Até a hora que Rupert adormeceu. Pensando na loucura que vivera nas últimas horas e na falta de nexo das palavras do potteriano maluco e mendigo.

Tudo ficaria claro nos próximos dias. As respostas seriam encontradas. Rupert pensava convicto, sentado numa ponte. Este era um sonho comum que ele tinha. Sempre ficava sentado em uma ponte – sempre a mesma ponte- pensando nos acontecimentos importantes de sua vida. Era uma coisa incomum. Ele não conhecia ninguém que parasse numa ponte, em um sonho, pensando no que ocorria durante o dia. Ele era definitivamente anormal. Então, ele acordou dos seus devaneios e ouviu uma voz ao longe, no horizonte da bela paisagem que sucedia o rio.
-Rupert! Rupert! Rupert! Meu filho, acorde! Acorde querido!
E então novamente Rupert acordou. Na sua frente, não estava o espelho com as figuras. Aquele não era seu quarto. Seu cabelo era ruivo, pelo que ele pôde perceber no espelho pequeno colocado na parede ao lado da sua cama. Ao seu lado também, estava ele: Harry Potter. Deitado na cama ao lado da sua, dormindo. E quem o havia chamado era ninguém mais ninguém menos que Molly Weasley. Como todo potteriano, Rupert quase morreu. Mas não naquele momento. Afinal, ele estava no quarto de Rony Weasley, com Harry Potter dormindo na outra cama e Molly Weasley chamando-o de filho. O QUE ERA AQUILO?





CAPÍTULO 2

-Pelas-barbas-de-Merlim!-Exclamou Rupert. Se bem que pelo simples fato dele estar em pé e ter notado que rejuvenescera uns 3 anos já era algo pra se espantar. Mas existem coisas que não é qualquer mortal que pode e estar com Molly Weasley e Harry Potter no mesmo quarto é uma dessas coisas. –Você? Você é Molly? E é a minha...
-Mãe. Sim. Faz 11 anos, meu filho. O que houve? Resolveu fazer palhaçadas com sua mãe também, assim como seu irmão Percy?
-E este é... – apontando para a cama que o menino-que-sobreviveu descansava, Rupert temia a resposta.
-É o Harry, meu filho. Agora chega de brinc...
-ESTE É HARRY POTTER? HARRY POTTER? HARRY POTTER! – os gritos acordaram Harry. Devem ter acordado o planeta inteiro, mas a única coisa que Rupert pensava agora era: ele era filho de Molly Weasley. Ele era um bruxo! Mesmo que em sonho, ele era um bruxo. Ele, Rupert, era um bruxo!
-Dá pra parar de gritar, garoto? Quem você pensa que é pra me acordar?- Aquele não era exatamente Harry Potter. Era um garoto com ar arrogante. A aparência era a de Harry, claro, mas o comportamento não. Talvez só agora Rupert percebera o que a mãe falara segundos antes: Percy, o garoto exemplar, fazia travessuras para a mãe? Harry Potter, o doce Harry, era estúpido? O que mais faltava agora?
-Preparou meu café, mulher?
-Sim, querido, está lá. Do jeito que você gosta. - Algo na forma como Harry chamara Molly de “mulher” estava estranha. A forma como Molly respondera também e isto só servia pra deixar Rupert mais confuso. Assim que Harry saiu, batendo a porta, Molly sussurrou, com uma careta: - Garoto insuportável. Só está aqui porque Tiago e Lilian foram passar uns dias com os Malfoy, mas você está farto da história, não é? O mesmo de sempre. O mimado Potter não quer estar no mesmo lugar que o doce Malfoy. Eu queria mil vezes ter aquele loirinho em minha casa. Ele é tão querido... –Agora estava tudo perdido. O que era aquilo? Malfoy bonzinho, Harry mimado, os Potter na casa dos Malfoy... Aliás...
-Você disse Lilian e Tiago? Os pais de Harry? Mas, mãe, eles não morreram? – Sim, era melhor entrar no joguinho e chamar Molly de mãe, afinal, dali a pouco ele acordaria e tudo estava acabado.
-Morreram? Lilian e Tiago Potter mortos? Você tomou algo antes de ir dormir, meu filho? Não aceitou nenhuma erva sobrenatural da narcótica da Lovegood, aceitou?
-Ã? Que você está falando? Mas enfim, Voldemort, ele matou os Potter. Só sobrou Harry, o Harry, o eleito.
-Não, meu filho. Voldemort tentou matar, mas só conseguiu estuporar, lembra? Aliás, eu não acredito nisso. Foi tudo um grande segredo. Só o que se sabe é que os três sobreviveram e Voldemort morreu. Dumbledore acredita que não. Confesso que eu também não acho que não.  Mas é melhor você ir tomar seu café da manhã, ou vai perder o trem. Primeiro dia em Hogwarts, querido! Que orgulho!
-E o Harry? – Rupert tentou desfarçar a euforia. Ele iria pra Hogwarts? Naquele dia? Naquele instante! Com Harry Potter!
-Lilian e Tiago vão vim buscá-lo. Agora desça.
Rupert, atordoado com tudo, desceu. Encontrou o tradicional relógio na cozinha. Todos os Weasley estavam lá. Menos Rony. E no lugar, estava Rupert. Ele era Rony. O que? Ele era Rony! Como assim? Era demais pra ele. Ele se sentou e comeu. Na mesa, o Sr. Weasley falou:
-Preparado pro primeiro dia de aula, Rupert?
-Ã... Sim. É, estou.
-Nervoso. Eu compreendo. E você Harry?
-Sim. Sempre estou. Afinal, seu cargo de ministro da magia será meu um dia.
-Assim que se fala garoto!
Mais uma novidade: o Sr. Weasley era o ministro da magia. O mundo dos bruxos estava de pernas pro ar. Apesar de tudo, Rupert acompanhou os pais e os irmãos para a plataforma 9 ¾, conversou sobre quadribol com o Sr. Potter e teve que agüentar humilhações do odiado Harry Potter. A despedida foi regada á lagrimas da mãe e do pai, beijos em Gina, a caçula, e a ansiedade de entrar no trem. Mas onde estava Hermione? Ele sabia o que o aguardava em Hogwarts, se não acordasse antes. Afinal, era claro que era tudo um sonho. Um bizarro sonho. Eles entraram no trem, se separaram. Rupert notou que os Weasley estavam todos com vestes da Lufa-Lufa e que Harry estava conversando num vagão ocupado por alunos com uma cara de malvados. Talvez se tornariam sonserinos nas próximas horas.
Sozinho, num vagão, Rupert passou a maior parte do tempo. Até a entrada de uma linda menina. Ela tinha os cabelos cacheados e volumosos. Era Hermione Granger.
-Olá! Eu sou Hermione Granger. Mas você deve conhecer os Granger, tradicional família bruxa. Você deve ser o Weasley. Filho do ministro da magia. Parabéns. - Hermione tinha o ar mandão tradicional dos livros, mas era bruxa. Pelo jeito, era sangue puro. Isto definitivamente era mais uma novidade. Era só mais uma, depois de descobrir que Neville não tinha um sapo, mas um gato de estimação, que Luna na verdade era uma viciada em “frutas sobrenaturais”, como dissera sua mãe, por influência do pai, que estava em Azkaban por tráfico de cogumelos mágicos. Ela era criada pela mãe, que não abandonara o hábito de “batizar” as refeições da filha, porque as tais frutas, segundo ela, faziam bem á saúde. Como Rupert já sabia, Malfoy era um menino simpático e logo eles se tornaram grandes amigos.
A viagem foi tranquila. Rupert comprou muitos doces do carrinho do Senhor Filch, um adorável vendedor de doces. Não, ele não era mais um zelador chato. Mas agora, que estavam todos em Hogwarts, sendo levados de barco por Hagrid, um pequeno e bonito homem, que era o guarda-caças, Rupert não se conteve e soltou exclamações ao ver de perto a sua tão desejada escola. E o melhor! Uma escola bruxa! Hogwarts era um belo castelo. Os jardins eram muito bonitos também e isto Rupert teve que concordar: pelo menos lá, estava tudo normal. Agora, o que tomava os pensamentos dos novos alunos era a seleção. Pra que casa iria Rupert?
Estavam todos em fila, seguindo pelo meio de todas as mesas das casas. Na frente, a figura amável de Dumbledore, vista ao vivo pela primeira vez. Mas seria mesmo a primeira vez? Se foi impressão ou não, Rupert não soube, mas pareceu que Dumbledore havia piscado para ele.  O garoto deixou pra pensar nisso depois, afinal, o chapéu estava cantando:

Um visitante este ano nós temos
Pra mostrar que do mal fugir nós podemos
Pra provar que os trouxas são do bem
E que pra sempre estaremos bem
Atenção, valentes Grifinórios!
Ouçam bem, inteligentes Corvinais!
Os sedentos Sonserinos cautelosos devem ficar
Porque até mesmo os Lufanos deverão se superar.
Sem aplausos. Sem risos. Apenas silêncio. Ninguém entendeu o que o chapéu quis dizer. Todos se olhavam. Os professores estavam desconfortáveis. Os monitores ficaram tossindo. Dumbledore puxou as palmas e o clima de tensão se quebrou. A cerimônia começou. Os nomes foram sendo chamados e Rupert sabia a ordem de cor. Porém os resultados foram estranhos: Luna foi para Lufa-Lufa, Harry foi para a Sonserina, Hermione para a Corvinal. Neville, que estava com uma espécie de amuleto semelhante ao de Luna, provavelmente teria ganhado dela, foi para a Grifinória, como nos livros. Malfoy se juntou á Neville na Grifinória. Então se ouviu o nome de Rupert:
-Senhor Rupert Alden.
E então Dumbledore parou. Todos pararam. Era o último nome e todos estavam com fome. Mas a atenção que Harry não teve e que deveria ter, Rupert obteve. Obteve de Dumbledore.
E então, sem delongas, o chapéu falou.


CAPÍTULO 3
-Temos aqui um Weasley. Poderia te colocar na Sonserina, como todos os seus irmãos. É inteligente, Corvinal te cairia bem também. Se acha de lado em tudo? Lufa-Lufa seria perfeita. Mas o cotado para a vitória deve ser o autêntico lutador. Você vai para a Grifinória!
O salão inteiro aplaudiu. Dumbledore sorria, os professores sorriam. A mesa da Grifinória estava contaminada com uma imensa alegria. Ver de perto toda a emoção e a tensão da seleção dos alunos era emocionante. Os pêlos dos braços de Rupert estavam eriçados. Ele se sentia importante. Se sentia parte de um time. O time da Grifinória. Já sentado á mesa, Malfoy parecia em casa. Ou melhor, agora ele estava em casa. Neville comia como se o mundo fosse acabar naquele momento. Por um instante pareceu que ele havia comido antes mesmo da comida aparecer. Rupert parou de criticar Neville, agora seu amigo, porque ele estava fazendo  certo. A comida era deliciosa.
O mais novo potteriano morador de Hogwarts estava com uma coxa de galinha numa mão e suco de abóbora na outra. A boca estava cheia da mistura de coisas que nem o mais inteligente dos homens poderia decifrar. Ao virar o rosto, o garoto viu Luna. Como ela era bonita. A mesa da Lufa-Lufa se transformou em um borrão e agora só era possível enxergar Luna. Será que a loira, com olhos tão profundos –sim, profundos- estava olhando para ele ou era impressão? A cutucada que Malfoy o deu mostrou que definitivamente não, não era impressão. Luna piscou e quando um aceno estava sendo esboçado, todos se viraram com um grito do chapeu seletor:
-Que que a senhorita está fazendo aí, hein, mocinha?- O chapeu aparentava estar bêbado e se referia á Hermione que neste momento tentava, sem nenhum sucesso, esconder o rosto. –Você tem que ir pra Grifinória, e não pra Corvinal! Sai, sai, sai logo! –Se tivesse pernas, sem dúvidas o chapeu estaria empurrando, ou pela fúria, chutando Hermione para a mesa da Grifinória. A menina, atordoada, se defendeu:
-Mas, senhor, todos viram, você disse Corvinal! Corvinaaaaal! E não Grifinória! –Com o tom de sabe-tudo da menina, Rupert pensou afinal, que nem tudo estava perdido.
-Senhor Chapeu – interveio Dumbledore – Receio ter que admitir, mas o senhor falou que nossa adorável senhorita Granger estava na Corvinal. Aliás, o senhor está fora de si. Quantas vezes eu o disse para não beber antes da cerimônia de seleção? – Ouviram-se risos. Fred e Jorge, na mesa da Sonserina, pediam para todos ficarem quietos, porque isso era um desrespeito á figura de Dumbledore e do pobre chapeu seletor. Distintivos de monitores reluziam no peito dos gêmeos, que vistos ao vivo, não eram tão idênticos. – Mas enfim, isso é coisa para se resolver depois. Afinal, para onde vai a senhorita Granger?- Todos se voltaram para o chapeu, que agora dormia. Os olhares ficaram então divididos entre Dumbledore, Hermione e o chapeu . Já que agora sem chapeu, não existia seleção. Mas num passe de mágica, literalmente, Dumbledore fez acordar um chapeu que nem parecia mais o mesmo. Com um ar sério, ele se dirigiu á todos e com um ar de chapeu seletor, falou:
-Definitivamente, Grifinória! E se me perdoa – o chapeu voltara-se para Dumbledore – isto não vai se repetir mais, professor.
-Continuemos o banquete. Resolvo isto depois. -disse Dumbledore, sempre com um ar triunfal.
Hermione, ainda assustada, foi para a mesa da Grifinória e sentou-se ao lado dos meninos. Ela resmungou algo parecido como “meu pai saberá disso” e a noite prosseguiu. Aliás, foi uma noite e tanto. Após os incidentes, Rupert percorreu o castelo e chegou ao seu dormitório. O dormitório dos alunos do primeiro ano. A sua cama. A dúvida era se aquela seria sua cama por bastante tempo. Rupert esperava que o sonho durasse muito tempo. Então, finalmente repousou seu rosto no travesseiro. Ele iria dormir durante um sonho. Isto era estranho. Mas a dúvida era: aquilo tudo era realmente um sonho?
Todos eram diferentes, Harry Potter era Harry, só Harry. Hermione era sangue puro. Malfoy era grifinório. Luna havia piscado para ele. O que era aquilo? Dumbledore também havia piscado para ele, agora Rupert acreditava nisso. Sem dúvidas, a experiência com esses questionamentos que Rupert obteve ao ler 64 vezes os 7 livros “Harry Potter” mostrou que tudo se resolveria. Talvez amanhã, depois, dali a semanas, meses. Mas as respostas viriam. Teriam que vir.
 De repente, o garoto se viu acordado, uma figura de preto em frente a sua cama. Sem hesitar, o garoto perguntou:
-Quem é você?
Então, a figura deixou cair o seu manto preto. Por baixo, via-se que era uma garota, com lingerie amarela. Sem ao menos se importar se os outros garotos ouviriam, Luna Lovegood sussurrou:
-Me possua! – Com movimentos suaves, deitou-se na cama. Rupert, mesmo sem saber se era isso que desejava, tentou fazer com que a menina – e que menina - saísse da cama. Mas não conseguiu. Foi ao perceber que tudo aquilo era impossível, já que ela tinha apenas 11 anos e que ele também mudara sua idade ao passar para o mundo mágico, que tudo se dissolveu. E então Rupert acordou. Já era dia em Hogwarts. Já era hora de se levantar. Como conseguiu, com o ataque de risos que estava tendo, ninguém jamais saberia. Mas que havia sido engraçado, havia. Ele estava em Hogwarts! Prestes a ter uma noite de amor com Luna Lovegood! Pena que fora tudo um sonho.
-Bom dia.
-aaaaaaaaa! Ah! É você, Draco. Espera!É você?! Não foi um sonho?! Eu estou em Hogwarts?
-Acho que sim. –disse Draco, hesitante.- Mas porque o espanto?
-Nada. – Rupert preferiu não comentar nada, afinal seria chamado de louco e iria para o Hospital St. Mungus. E isto definitivamente não estava nos planos de ninguém.
E então, Rupert percebeu. Na cama, estava um pedaço de pergaminho. O pergaminho era prateado, parecia que estava enfeitiçado. O pedaço de cordão que o envolvia era dourado e podia se enxergar, em preto, os dizeres:


Caro senhor Weasley Alden;
Ao abrir o papel, mesmo receoso, o garoto lera:
O espero na minha sala, após o almoço, para tratar assuntos de seu interesse. Espero que esteja gostando de Hogwarts e do mundo dos bruxos. Desculpe, mas comi o doce que estaria junto com o bilhete.
Grato pela atenção,
Professor Alvo Percival Wulfric Brian Dumbledore, Ordem de Merlim, Primeira classe.

Então ele sabia? Então Dumbledore sabia que ele era trouxa! “Espero que esteja gostando do mundo dos bruxos”. Isto foi uma insinuação, sem dúvidas. Mas o que teria Dumbledore pra falar com Rupert? E agora que percebera: Sim, ele era trouxa! Como iria participar de uma escola para bruxos? Afinal, agora, depois de uma noite, todos sabemos: nada daquilo era um sonho.  

CAPÍTULO 4
Novamente, desde que chegara á Hogwarts, Rupert deixou os questionamentos de lado e passou a aproveitar sua passagem por ali. Juntos, ele, Draco e Neville foram rumo á saída,onde encontraram Hermione chegando.
-Já tomou café, Hermione? – perguntou Neville.
-Ah, não. Eu estava no corujal, mandando uma correspondência para meu pai. Ele precisa saber do que aconteceu ontem.
-Realmente, foi muito estranho. – disse Draco, olhando para os amigos e novamente para Hermione – Mas não é de hoje que comentam que o Chapeu sofre com o vício em bebidas alcólicas trouxas.
-Meu pai contou que quando ele foi criado, Salazar deixou cair um litro de bebida, que ele usaria para uma poção, em cima do chapéu. –Acrescentou Neville.
-Estranho, meu pai, que é o bruxo mais inteligente que existe, nunca me contou nada. –Hermione mantinha seu ar de sabe-tudo e orgulho do pai.
-Vamos tomar café? Minha barriga está doendo. –Disse Rupert, massageando o abdome.
-Vamos. Afinal, a Lovegood-piradona deve ter te deixado louco, não é mesmo. Falou o nome dela a noite toda. Sonhando com a viciada, Weasley? – debochou Draco.
-Não sei do que você está falando. – Mas as bochechas do pobre Rupert já o condenavam.
-Deixem pra lá essa conversa de meninos e vamos comer. Mas antes, vou pegar meu exemplar de “Quadribol através dos séculos”, para uma leitura básica. – Interveio Hermione.
Após a saída dos garotos, eles se dirigiram ao salão comunal. Porém, Rupert gelou ao passar pelas escadas movediças. Na noite anterior, ele estava cansado e pensativo o suficiente para não perceber onde estava, mas agora, bem acordado, o menino, que tinha medo de altura, parou. A altura era surpreendente e a escada se movia de uma forma assustadora. Claro, os demais meninos não reclamaram de nada, mas ele se sentou. Não conseguiria ficar em pé nem mais um instante.
-Algum problema, Rupert? – indagou Neville.
-As-escadas. –Rupert falou pausadamente, quase gemendo, quase chorando, quase implorando para Merlin salvá-lo.
-Elas estão se movendo. Se movendo. Como sempre. – observou Hermione.
-Este é o problema. – e então, num solavanco, as escadas começaram a mudar de posição e o garoto se agarrou ainda mais aos degraus, que para ele, eram a única forma de sobrevivência. A velocidade aumentou e para a felicidade dos demais garotos e de um bom número de alunos das outras casas, Rupert começou a gritar. –Pareeem! Pareeem! Eu quero a minha mãe! Eu quero a minha casa!  - O suor frio escorria pelo seu rosto e seus amigos se deitaram nas escadas e começavam a rir e apontar para ele. Somente Neville tentou acalmá-lo.
-Calma Rupert, calma!
-Fique bem aí! Essas-escadas- se-movem! – mais um movimento brusco e agora Rupert chorava. –Pelas barbas de Merlin! Me deixem descer! Eu quero descer! Socorro! Dumbledore! Mamãe! Qualquer pessoa! Faça isso parar! Eu quero a minha mãe! –então o garoto começou a chorar desesperadamente. Todos choravam também, mas de tanto rir. Neville, que até então estava sério, agora segurava os risos também. Então a escada parou. Os garotos descera para o saguão e Rupert parou de chorar. Esbaforido, se arrastou temendo e suando rumo á “Terra Firme” e o que viu não foi a melhor coisa que alguém em uma crise de nervos ou até mesmo com as vestes manchadas poderia ver. Na sua frente, estava Minerva. A professora não era nenhuma senhora. Ou melhor, a idade poderia ser avançada, mas o garoto não deixou de perceber os tons berrantes das cores das suas vestes e da echarpe rosa Pink que a professora usava. O chapéu roxo não contrastava com as vestes verdes limão e vermelhas. Os sapatos laranjas, que o trouxa poderia ver bem, já que estava de quatro, em frente a professora, não eram algo que se pode chamar de discretos.
-Pode me explicar o que foi isso, senhor? Por acaso o tem problemas mentais ou algo do tipo? Faça-me o favor, chorando como trouxas fariam na mesma situação.
-Eu-tenho-medo. Me-me-me-do. – o garoto tremia e consequentemente gaguejava.
-Pois que isso não se repita. Menos 10 pontos para Grifinória. Agora, vamos rumo ao café da manhã.
Durante a refeição matinal, o garoto recebeu os horários e percebeu que naquele dia teria somente aulas de Poções, com o professor Snape e de feitiços, com o professor Flitwick. A sua tarde estava livre para o encontro com Dumbledore. Agora Rupert pensava no que aconteceria lá. Talvez se Luna Lovegood tivesse aparecido no salão o garoto pudesse mudar seu pensamento, mas isso não aconteceu. Foi somente quando todos estavam mortos de tanto comer Bombinhas de Chocolate –que literalmente explodiam na boca e no estômago- e Pão-de-Bruxo – um pão com formato de chapeu, que tinha um buraco maior do que parecia por fora recheado com vários sabores- que a garota da Lufa-Lufa chegou. Mas já estava na hora da partida. Rupert e os amigos se levantaram e o ruivo não pôde deixar de notar que Dumbledore acenara para ele.
Pensando, Rupert prosseguiu para sua aula de Poções. Ele não poderia deixar de pensar no que o aguardava. Snape. Severo Snape seria seu professor de Poções e todos sabem que a fama do ex-comensal da morte não era boa. Porém, o que se prosseguiu foi atípico e isto não é nenhuma novidade.
Enquanto todos aguardavam na fila, Rupert não pôde parar de reparar no quão arrogante Harry Potter era. O garoto, acompanhado de outros sonserinos, era sem dúvida nenhuma uma versão de Draco para aquela loucura que ele se metera. Por um instante ele se perguntou afinal, o que seria aquilo. Foi interrompido por uma olhada descarada que Luna havia dado para ele e não pôde responder novamente. Snape abrira a porta e então as masmorras não eram as já conhecidas masmorras.
Os alunos, em fila, foram entrando na sala que estava decorada com uma faixa bem grande, com os dizeres “Sejam bem-vindos adoráveis alunos” . Ao redor, figuras brilhantes de corujas enfeitavam a parede e no teto, cordões com pássaros mágicos estavam pendurados.  Borboletas usando óculos coloridos e cordões havaianos surgiam das prateleiras, enfeitadas com portas-retrato que mostravam um Snape alegre, com duas crianças que eram a sua cara, diga-se de passagem e uma mulher. Uma linda loira. Aquela provavelmente era a família dele. O professor recebia os alunos na porta, com um sorriso e palavras de boas vindas e “oi, como vai seu pai?” “a poção que Lilian me pediu funcionou, Harry?” “O senhor Xenofilio foi grandioso ao escrever a matéria sobre os zonzóbulos, aqueles animais adoráveis” “A descoberta de seu pai no ramo das poções deveria ganhar o prêmio Descoberta de Merlin, garoto”. Cada aluno era recebido com um sapo de chocolate. O sapo de Rupert saiu pulando pela masmorra que mais parecia um salão de festas muito bem decorado. Snape fitou Rupert e o garoto, ainda não acostumado com a figura alegre e amigável do professor se assuntou quando o professor falou:
-Ah, querido, pegue-o depois. Eles não pulam muito, sabe. Você deve ser o Weasley. Espero que seja tão bom quanto seus irmãos. Os adoráveis Fred e Jorge.
Sem ironia, sem piadas de mal gosto, sem insinuações preconceituosas, sem repreensões. Este era Snape. Ele tinha uma família e era feliz, ao que tudo indicava. Por um instante, Rupert se perguntou se esta não deveria ter sido a história se Voldemort não tivesse feito horrores. Aliás, onde estava Voldemort? Novamente, uma dúvida. Novamente, surpresas. E a aula havia acabado. Uma boa aula. Isto era verdade.
Depois de capturar seu sapo de chocolate, os amigos se dirigiram para a segunda aula do dia. Era a aula de feitiços agora. Rupert, sem querer, deixou escapar:
-Vocês vão ver, o professor é bem pequeno. Ele tem sangue de anão.
Hermione, Neville e Draco encararam o amigo.
-Acho que você se enganou, Rupert.-disse Hermione, olhando para a porta da sala.
Na porta, estava a figura de uma pessoa. A maior pessoa que Rupert havia visto em toda a vida. Era alto, porém magro. Era maior que Hagrid. O Hagrid verdadeiro, não este homem “comum” que se dizia ser o guarda-caças de Hogwarts naquele sonho ou seja lá o que fosse. O professor Flitwick tinha olhos verdes, uma barba branca, de uns 3 centímetros e usava um chapéu azul. Suas vestes eram cinza.
-Olá garotos. Bem vindos á aula de Feitiços. Podem abrir os seus livros na página 4.
-Mas senhor – interveio Hermione- nós estamos no meio do corredor.
-Ah, é verdade, que cabeça a minha. Entrem, entrem. E abram o livro na página 6.
Os alunos entraram e quando iam se perguntar se a página a ser aberta era a 4 ou a 6, o professor falou:
-Bem-Vindos á aula de Feitiços. Peguem suas varinhas. E fechem os livros. –Com uma balançada, o professor fechou o livro de Neville e tirou o pomo de ouro que Harry segurava das mãos dele.
-Senhor, o senhor mandou abrir os livros! – contestou Neville.
-Eu não falei nada e a propósito, bem-vindo á aula de Feitiços. Abram os livros.
-Rupert e Draco se olharam e resolveram abrir os livros. O professor aparentava não ter um pingo de bom senso, mas era o professor, afinal.
-Bem-Vindos á aula de Feitiços. Hoje estudaremos um feitiço básico. Alguém sabe o que é?
Você deve saber quem levantou as mãos primeiro. Hermione praticamente implorava com os dedos para ser ouvida, mas Rupert resolveu dar uma de esperto e tirar vantagem do fato de conhecer a história toda.Levantou a mão e com um aceno, o professor o mandou responder.
-É o Feitiço da Levitação, senhor.-Todos soltaram risinhos e se olharam. Até mesmo o professor teve que se conter para não rir. Rupert se perguntou o porque daquilo, mas teve medo da resposta.
-Qualquer trasgo sabe fazer um objeto levitar, senhor Alden. Hoje nós estudaremos a Maldição da Morte.- Rupert arregalou os olhos e soltou uma exclamação.
-Com medo da morte, Weasley? – provocou Harry. Como aquele garoto era irritante!
-Abram os livros na página 5 e sejam bem-vindos á aula de feitiços. Agora, peguem as mesas que apareceram na varinha e mecham suas aranhas.
Todos riram. Coube á Hermione a função de corrigir o professor, hesitante.
-Senhor?
-Sim? – o professor já estava pronto para a demonstração.
-O senhor quis dizer peguem suas aranhas e mecham as varinhas, não?
-O que foi que eu disse? Não me interrompa, senhorita. Preste mais atenção na aula.
E assim prosseguiu a aula. Claro, todos estavam cansados de matar aranhas, mas Rupert estava espantado com tudo aquilo. Maldição da Morte logo na primeira aula do primeiro ano? Ou melhor, ensiná-la pra um aluno! Isso era horrível! Tirando o fato do professor ser louco da cabeça. Mas a aula acabou. Todos iriam aproveitar para escrever para a família, visitar o lago, jogar com os amigos já na sala da sua casa, mas Rupert tinha uma conversa com Dumbledore. Ele acreditava que aquela seria a hora de conhecer as respostas para todas as dúvidas. Dumbledore era um bruxo sábio e poderia ajudá-lo. E então, tudo passou num piscar de olhos e Rupert se viu em frente á sala de Dumbledore. Como entraria lá? E então, a bizarra professora Minerva apareceu no corredor e disse:
-Aí está você, Weasley. Pois bem. Vamos entrar. – Voltando-se para a estátua de entrada para a sala do diretor, a mulher falou: - Chulé de trasgo
Rupert se conteve para não rir diante da cena e entrou. Estava diante da porta do diretor quando pensou: “Vamos lá.”
E então a porta se abriu. Diante dele, a mesa do diretor e a tão conhecida sala do diretor. Pelo menos tudo aquilo era normal. Minerva se virou e foi embora. Dumbledore levantou a cabeça, sorriu, conjurou uma cadeira e disse:
-Sente-se Rupert. Escute. O mundo dos bruxos depende disso.


CAPÍTULO 5
Vagarosamente, o garoto sentou-se na cadeira e fitou os olhos azuis atrás dos óculos meia lua. Ele estava atordoado e embora Dumbledore parecesse não notar, Rupert tremia descontroladamente.
-ã, senhor? Precisa de alguma coisa?
-Não, meu caro Rupert. Não agora – então o diretor deu uma piscadela  com o olho direito- A única coisa que eu quero é que você me escute. – O tom calmo de Dumbledore era algo incompreensível.
-Sim.
-Eu sei o que você é. Sei de onde vem. Sei exatamente o que sente e o mais importante: sei o que está fazendo aqui. – o garoto só olhava. E escutava, seguindo a recente ordem. – Rupert, você é trouxa. Um tipo de trouxa não muito raro, pelo que pude saber. Você conhece a história. A nossa história. Melhor: você conhece o futuro. Mesmo que isso seja uma coisa desagradável e inoportuna.
-Desculpa senhor, mas a...
-Sim. Eu sei. A história parecia diferente. Mas ouça com atenção o que eu tenho pra lhe dizer. Existe uma profecia, Rupert. Você, como dumbledoriano...
-Potteriano, senhor. Potteriano.
-Exatamente. Você, como potteriano, sabe, naturalmente o que é uma profecia. Pois eu receio dizer que uma destas profecias diz respeito á um trouxa. Mais exatamente á você. Ao criar as horcruxes, coisa que você também deve saber o que é, Voldemort lançou um feitiço. O feitiço mais poderoso de todos que eu conheço. Um feitiço pior que o usado para criação de uma horcrux. Um feitiço que une dois mundos completamente opostos. O dos bruxos e o dos trouxas. E uma vidente, desconhecida, de poderes e astúcia tão raros quanto o dito feitiço, viu que o feitiço havia sido conjurado. A profecia havia sido feita. E como tal, iria se cumprir. A profecia conta que, usando uma inteligência digna de um corvinal, mesmo que este não o seja, Voldemort lançou tal feitiço, que serve para impedir a destruição de suas horcruxes. Até certo ponto. Elas só seriam destruídas se um trouxa, que em tese desconheceria a existência de tais coisas, penetrasse na mente do bruxo cuja alma seria dividida e quebrasse o “selo mágico”. E aí é que entra a prova de coragem de tal vidente.Ela sabia que Voldemort usaria de truques para acabar com qualquer tipo de invasão trouxa em sua mente. Ouso dizer que em seu mundo. E ela efetuou uma série de feitiços que deixariam atordoado em nosso mundo. Porém, salvo. Para você chegar, o primeiro bruxo do bem que lesse a profecia teria que te chamar. Acho que este sou eu. Então, quando você chegasse, encontraria tudo um pouco diferente, mas como nem você, nem quem te chamou, nem Voldemort seriam atacados por tal confusão, você seria orientado a fazer o que se deve. Isto é o que neste exato momento eu estou fazendo. - Rupert só pôde suspirar. Ele não entendera direito, era tudo muito complexo. A única coisa que sabia é que havia sido chamado para quebrar um selo que impede a destruição das horcruxes. Ele estava sendo protegido por um feitiço, que alteraria tudo, menos ele, o próprio Voldemort e neste caso, Dumbledore. –Eu sei que isto é complicado para uma cabeça trouxa, por mais esperta que seja, mas a verdade é esta. Você deve quebrar o selo, Rupert.
-Então é por isso que tudo está de pernas pro ar?
-Sim. Ninguém sabe o que realmente está acontecendo e os feitiços se desfarão quando o selo se quebrar.
-E  onde está a tal cartomante?
-Vidente, Rupert. A vidente efetuou feitiços que pessoas na condição de saúde dela não deveriam. Então, o pior aconteceu.
-Ela morreu? Pra me proteger?
-Infelizmente sim.
Rupert ficou pasmo. De repente, tudo fez sentido. E logo em seguida uma sensação de culpa surgiu. Seguida pelo medo. Se a vidente havia morrido, imagine ele! Era uma magia forte que estava ali e ele, um trouxa, deveria lutar contra ela! Lágrimas começaram a cair. Rupert devia lutar. Devia salvar o mundo dos bruxos. Devia vingar a morte daquela que havia salvado sua vida. Mais um sentimento se somou á ele e então a decisão estava tomada. Ele iria lutar. Mas ainda havia dúvidas. –Senhor, se nem Voldemort, nem essas coisas horríveis que acontecem, existissem, tudo isto seria real? Todas as histórias, por mais loucas que sejam, seriam verdadeiras?
-Não devemos pensar no que aconteceria. Devemos pensar no que está acontecendo. Mas algumas coisas, sim. As demais, não. A senhorita Luna, por exemplo, deveria estar aqui somente no ano que vem. –Ao ouvir aquele nome, Rupert gelara. Dumbledore sabia dos sonhos com Luna? Rupert achava que não. –Mas não é porque está acontecendo na sua cabeça que não haveria de ser verdade, Rupert.
-E se o selo for quebrado, tudo voltará a ser como antes?
-A maioria das coisas. Mas as horcruxes poderão ser destruídas. Mas isto o futuro dirá.
-Eu conheço o futuro, posso ajudar.
-Sei que você sabe coisas que ninguém mais sabe Rupert. Mas  mexer com o futuro nunca é saudável. Prefiro viver o presente e encarar o amanhã como este deve ser encarado.
-Mesmo se...
-Eu ficarei bem, Rupert. Agora, receio dizer que sua tarefa não é fácil. Você entrará na mente do bruxo mais cruel de todos os tempos. Você entrará na mente mais horripilante. Será pior que qualquer horcrux. Será pior que tudo. Mas só você pode fazer isso. Só você tem sangue bruxo inativo.
-O que é isso, professor?
-Ancestrais seus eram bruxos. Você tem traços bruxos em seu sangue. Mas ele é inativo, porque a grande maioria de você é trouxa.  Mas mesmo assim, entre os trouxas, você é único. Só você tem sangue desta forma e conhece Hogwarts e seus mistérios de perto.
-Como falar com as cobras? Poucos nascem com esse dom?
-Sim. Agora, uma pergunta. Será difícil. Você quer ir?
Rupert pensou. Era necessário. Sem isso, o selo nunca seria quebrado. Nada mais poderia ser feito. Era questão de tempo para Voldemort surgir. E tudo estaria perdido. As mortes seriam em vão. A história seria alterada. Sim, afinal, o bem não venceria no final e nada estaria bem. Os livros não seriam mais os mesmos ou talvez nem existissem. Nenhum potteriano existiria. Tudo estaria mais sombrio. Só ele poderia mudar isso. E seria ele quem faria.
-Definitivamente, sim. Sim, eu lutarei, professor.
 -Boa sorte, Rupert.
-Mas, professor? – o alto homem havia ido em direção a sua mesa. Ao ouvir a voz de Rupert, ele se voltou para o garoto e o fitou parado.
-Sim?
-O que acontece se eu não conseguir?- Dumbledore pensou. Foi até a janela. Olhou para o belo campo de Hogwarts. Parou. Suspirou. Falou.
-Estamos num caos. Os feitiços se tornariam eternos. E a história,da forma como você conhece, seria falsa.
-Desconfiei.
-Você quer mesmo ir? – Agora o homem olhava para o garoto. O bruxo olhava para o trouxa. Parecia que não era isso que Dumbledore queria. Se pudesse, ele iria sozinho. Mas na verdade, só Rupert era capaz. Ele teria que ser sacrificado. Assim como Harry seria.
-Sim.
Então Dumbledore ergueu a varinha e lançou sobre um quadro vazio, que Rupert ainda não havia notado, um feitiço que fez brotar ali um grande portal. O portal tinha a cor rosa e parecia ser formado por massa de bolo numa batedeira.
-Entre aí, Rupert. E lembre-se: o bem sempre vence no final.
Rupert concordou com a cabeça e partiu rumo a um futuro desconhecido. Ao chegar em frente ao portal, sentiu como se nada daquilo fosse real. Como se tudo tivesse sido um devaneio e por um instante se perguntou se aquela era a hora dele acordar dum sonho anormal. Mas como isso não acontecia, ergueu o pé para dar o primeiro passo e foi interrompido por Dumbledore.
-Rupert?
-Sim. – agora era o garoto que havia parado e se virado para Dumbledore.
-Vá com Deus. – Rupert pareceu atordoado. E então questionou.
-Ele, - olhou brevemente para cima e teve vontade de apontar – existe?
Dumbledore só riu.
-Trouxas... Sempre achando que são os seres superiores deste mundo. Nem sempre o que não podemos é falso, Rupert.
O garoto concordou e partiu. Não houve gritos, nem dor, nem vôos. Ele simplesmente surgiu. Num lugar parecido com o que ele havia visto Dumbledore pela primeira vez. Porém, agora era tudo branco.
Como aquilo podia ser real? Não fazia sentido! Ao descobrir que teria que entrar na mente de Voldemort, ele pensou ser algo bem pior. Mas não era. Estava tudo branco e na sua frente, havia um baú. Nele, estava um cadeado. O cadeado era dourado e dele saia uma luz que Rupert nunca havia visto. Mas ela era hipnotizante. Chamava Rupert ao encontro dela. Era como se ele precisasse daquilo mais que tudo na vida. Rupert correu. Ao encostar no cadeado, algo inexplicável aconteceu. Imagine a sensação que você tem ao comer sua comida predileta. Ao beijar a pessoa que você ama. Ao deitar-se na cama e dormir, após um dia de esforço. Imagine a sensação que você tem ao rir sem medo de nada. Ao estar com seus amigos, ao tirar uma nota 10. Imagine a sensação que você sente quando ganha o último lançamento da sua série predileta ou a sensação que sentiria ao estar frente á frente com seu ídolo. Imagine que tudo de bom tivesse caindo em você. Agora junte todas essas sensações, aliadas ao desejo desesperador de que aquele toque nunca acabasse. Aquela era a sensação que Rupert sentia. Ele poderia pegar uma cadeira e sentar-se ali. Pelo resto da vida. Não se importava que os outros precisassem dele, ele ficaria ali. Mas então se lembrou do propósito da sua visita, e quando percebeu que teria que largar aquele cadeado, por mais difícil que fosse, tudo escureceu.
Somente a luz do baú era visível. Nada mais. Então, uma voz, horripilante, assustadora, a pior voz que um ser pode escutar, falou:
-Resista ao bem! Resista! Viu? O bem não é o melhor! Seja mal! Seja mal! Escolha as coisas ruins e seja feliz!
-Cale a sua boca! – gritou Rupert para a voz, que parecia ser a de Voldemort. –Lutarei até o fim! Você morrerá! O mal sempre perde, Lorde das Trevas! – Rupert largou como um raio aquele cadeado e gritava com Voldemort como se estivesse gritando com o cachorro que acasalava com a cadela da vizinha.
-Resista, trouxa! Resista aos seus medos!
Ao ouvir aquela palavra, tudo gelou. “Medos”. Rupert estava arrepiado! Parecia que todo aquele perigo estava sendo notado pelo seu cérebro e Rupert desejou fugir dali. Mas era tarde demais. Ao seu lado, uma luz vermelha e um homem aparatara.
-Eu tenho vergonha de você, seu idiota! Eu sempre desejei um filho que fizesse as minhas vontades. Eu sempre desejei um filho que jogasse futebol no time da escola. Um filho que eu tivesse orgulho de dizer que era meu filho. Um filho que não me causasse vergonha perante meus amigos. – a figura do pai de Rupert vinha na direção dele. – Seu idiota! Você é um fracasso, uma verginha!
Mal teve tempo de chorar e Rupert já estava vendo ao seu lado outra figura. Esta era a menina mais espetacular da face da terra. Como se toda a beleza existente estivesse caído sobre uma menina só. Era Letícia, o amor da vida de Rupert. A menina que o ignorara tantas vezes.
-Olha quem está aí! – a garota agora batia palmas, ironicamente, indo rumo á Rupert- o feioso, verruguento, fedorento do Rupert cara de cebola! – agora ela ria!- Francamente, pirralho, você pensou que eu, a mais linda de todas as meninas lindas da face da terra, gostaria de ter alguma coisa com você? – sem esperar resposta, ela cuspiu as palavras na cara dele- Não! Óbvio que não! – agora fazia uma cara de nojo. – Você tem que se tornar algo que é impossível se tornar. Nasça de novo! Quem sabe...
Rupert chorava descontroladamente. Todos os seus medos, vergonhas, arrependimentos, culpas, estavam sendo jogados cruelmente pelas piores pessoas na sua cara. Não que eles fosses más pessoas, mas definitivamente, ali, naquela “encarnação” não eram. Mas quando todas as piores sensações surgiram, Rupert se esqueceu do que viera fazer ali. Somente a dor estava dentro dele. Mais nada. Então, do lado dele, surgiu um menino loiro, alto, olhos azuis e roupas de marca. Ele tinha o cabelo lambido e era extremamente lindo. Rupert viu nele desprezo. Somente isto estava estampado na cara do menino-lindo.
-Rupert, seu grande bosta! – começou o garoto- Já parou de chorar por ser pior que eu nos esportes, por ter sido pior que eu nas provas ao longo do ano, por ter perdido a bolsa de estudos, a vaga em Harvard? Eu sou melhor que você, seu merda, pobretão! – Agora, literalmente, Rupert havia sido cuspido.
De repente, figuras assustadoras surgiram. Imagine bichos papões, fantasmas, cobras, aranhas, cachorros bravos, seres do pior tipo possível. Imagine todas as coisas que você teve medo na sua vida e agora imagine elas subindo em você e te atacando. Isto era o que Voldemort estava fazendo para derrotar Rupert. O garoto gritava, pensava em desistir, mas a causa era maior. Ele precisava chegar ao baú, agora cada vez mais longe. De repente, uma das piores cenas entre todas aquelas assustadoras figuras vermelhas roubou a atenção de Rupert. Aquele que representava seu pai estava agarrado na sua mãe, que surgira agora e batia nela incontroladamente. Ele apontava para Rupert, falava com ela e batia. Batia de todos os jeitos, em todo o corpo e a mulher não tinha forças nem para levantar ou gritar. As criaturas se agarravam á todas as partes de Rupert e ele só pensava em correr para salvar sua mãe. Quando chegou mais perto, ouvia: “Tome esta por botar esse garoto no mundo, sua vadia”. “Tome essa por deixá-lo desse jeito” “Tome essa por não me dar o filho homem do jeito que eu queria”. Rupert não sabia o que fazer. Eram criaturas por todo lado e ele não conseguia chegar á sua mãe. Ele corria, mas não saía do lugar. Ele deveria lutar contra Voldemort. Possibilitar a destruição das horcruxes, mas não conseguia. Então, ele se lembrou. O bem sempre vencia. O amor. A amizade. Todas as coisas boas que aconteceram na vida dele. As loucuras com seus amigos, seu primeiro beijo, suas vezes no cinema assistindo “Harry Potter”. As vezes que recebia presentes, abraços, beijos, do pai e da mãe. Afinal, apesar da frieza, haviam momentos de amor com seu pai. Raros, portanto mais valiosos ainda. Então ele se lembrou. Nada daquilo era real. Era tudo um truqye de Voldemort. Seu pai não era um monstro e apesar de chatos, Letícia e o menino-lindo não eram seres horríveis daquela forma. Então, tudo se dissolveu. As criaturas, sempre imaginárias, desde a infância, tornaram-se nada. Tudo sumiu. Sem perceber, Rupert estava sozinho na escuridão, novamente e o baú estava na sua frente. Rupert fez o que deveria ser feito.
-Começa aqui e agora, a sua destruição, Tom! – da varinha de Rupert surgiram seres azuis, lindíssimos. Não era o patrono, mas era lindo aquele feitiço. O baú se quebrou. Lá dentro, não havia nada. Tudo havia acabado.
-Você pagará, trouxa! – gritou a voz horripilante.
-Não. Agora é o começo do fim.
E então, como num passe de mágica, acabou. Tudo ficou banco novamente e a mente de Voldemort parecia vazia. Definitivamente, naquele momento, o resto da humanidade de Voldemort havia sido apagada. Deletada. Morta. Voldemort teria o fim que merecia afinal. Então, estava Rupert parado, naquela imensidão azul, idêntica á do seu sonho, o começo da aventura. Tudo exatamente igual. Ele viu que Dumbledore chegava perto dele. Rupert sentia um frio na barriga.
-Obrigado, Rupert. – falou Dumbledore.
-Obrigado por ter me colocado aqui, Dumbledore. Foi maravilhoso viver em Hogwarts por um tempinho. Se não fosse a mente de Voldemort, seria perfeito.
-Nada é perfeito, garoto. Mas não se deixe iludir. O que acontece na mente dos outros lá deve ficar. Não se deixe levar pelo que ouviu. Receio que foram coisas horríveis.
-Sim. Foram.
-Espero poder lutar contra isso. Espero ajudar a dar um fim neste sofrimento.
Rupert quase disse que talvez isso não fosse possível, afinal, Dumbledore morreria antes da grande batalha, mesmo tendo enfrentado Voldemort antes. Porém, Dumbledore interrompeu o raciocínio de Rupert.
-Nos vemos em breve. –Dessa vez, Rupert sabia que não. Mas enfim... Tudo acabou. A atmosfera sumiu, tudo sumiu e Rupert estava em seu quarto, novamente. Definitivamente, nada havia sido um sonho. Mas o que havia sido nunca ninguém soube. Afinal, Rupert ajudara no combate. E tudo estava bem. 

FANFIC: E UM DIA EU ESTAVA EM HOGWARTS


“E um dia eu estava em Hogwarts”
@Um_Bruxo
CAPÍTULO 1:
Não havia som algum. A atmosfera estava coberta de uma neblina de aspecto estranho. Não chegava a ser líquida, mas também não era gasosa. Não era possível enxergar quase nada. Quase tudo azul. Somente uma figura chamou a atenção de Rupert: um chapéu, chapéu de bruxo. Um homem com uma grande barba branca e os olhos exageradamente azuis. Era Dumbledore. Por mais que andasse na atmosfera azul, um azul idêntico aos olhos do bruxo, diga-se de passagem, Rupert não saía do lugar. De repente, o bruxo veio ao seu encontro. Dumbledore estava indo ao seu encontro! Que esplêndido, pensaria o potteriano. Mas não naquela situação. Havia algo errado. De repente, Dumbledore, já na sua frente, fitou-o e disse:
-Nos vemos em breve. - Dumbledore sumiu, a atmosfera estranha sumiu. Tudo sumiu. Rupert acordou assustado. Em um pulo, mas acordara. Fora tudo um sonho. 
Em sua frente, o espelho, coberto de pôsters da sua saga predileta e de imagens das “Relíquias da Morte”, ainda tinha um pequeno espaço descoberto e era neste espaço que Rupert via seu reflexo todas as manhãs: seus cabelos pretos, seus olhos castanhos, sua estatura média, seu corpo magro. Aquele era Rupert. O fã de Harry Potter, como todos o conheciam. O potteriano Rupert.  Como toda manhã, seguindo sua rotina insuportavelmente trouxa, ele vestiu seu uniforme escolar, deu um beijo no maior pôster da Emma Watson que qualquer ser humano poderia imaginar estar pendurado num quarto e desceu. As escadas, como era de se esperar, não continham nenhum armário e na parede da cozinha não tinha nenhum relógio mágico. Mas havia sua mãe, a incompreensível, porém amada mãe. “Esse Harry Potter de novo?” sempre perguntava a mãe, mas ela era trouxa, então, estava tudo bem.
-Dormiu bem, meu filho?-perguntou a mãe, colocando café numa xícara com a foto de Rupert Grint.
-Sim, mãe. Xícara maneira.
-Preparei pra você. Afinal, você era do tamanho de uma ervilha e eu pensei no seu nome. Por ironia do destino, está você, aí, fã de uma pessoa com mesmo nome.
-Pra mim, esse tal de “Réuri Poti” é coisa de veadinho. -disse o pai. Sempre incompreensível. Pra ele, a vida do filho tinha que ser “como a dos outros garotos”. Futebol, garotas, vídeo game. Mas o menino só vivia para uma história infantil. Ele já estava com 16 anos! Mesmo que Rupert tivesse 14, o pai desconhecia. Sempre fora assim. Trabalho e mais trabalho. Como estava sendo naquele exato momento. Ao invés de passar o café da manhã com a família, ele saiu logo após a chegada do filho na cozinha.
Após o café, Rupert pegou seu ônibus trouxa, entrou na sua escola trouxa, conversou com seus colegas trouxas, “avadou” mentalmente sua professora, que também era trouxa. Desejou realmente encontrar a entrada pra Câmara Secreta no banheiro, durante o intervalo, mas o máximo que conseguiu foi escutar FUNK, saído do celular de um aluno do primeiro ano. Esta era sua vida. Sua vida, é claro, e infelizmente esta era a verdade, trouxa. Até ali, nada de mais. Até que algo não muito comum aconteceu: Rupert lembrara-se do sonho. O Sonho. Dumbledore estava no sonho, que parecia tão real, mas ao mesmo tempo tão, tão, qual era a palavra? Mágico! Isto. História legal para ser contada no seu FC no twitter, durante a tarde. Mas esta não era uma simples história. Era algo muito estranho. Ele estava pirando, é verdade, mas pessoas loucas tinham sonhos tão estranhos como aquele? Não. Ele achava que não. Então, sem pensar, resolveu escrever. Pegou seu caderno de anotações potterianas, como ele chamava, que estava sempre com ele e resolveu escrever sobre seu sonho.
As páginas estavam em branco. Como? Ele pensou. Mas nenhuma resposta foi aceitável. Não foram aceitáveis as suas atitudes, procurando anotações inexistentes em plena sala de aula. A professora não havia gostado de nada daquilo. Diretoria. Ah! A tão conhecida diretoria. Fora pra lá várias vezes, sempre pego com um exemplar de “Harry Potter” por trás dos livros de matemática, história, geografia... Mas naquele dia? Justo naquele dia? No dia em que Dumbledore falara com ele e que seu caderno havia apagado todas suas anotações? Sem contar no tédio anormal que a escola trouxa estava causando nele. Tudo, menos a diretoria. Mas não houveram desculpas. O caminho era conhecido, mas um gato preto na janela do corredor não. A escola era antiga, tinha uma arquitetura antiga, e tudo isto contrastou com um gato, fitando estranhamente Rupert do parapeito da janela.  Mais um item para a lista de coisas estranhamente anormais daquele dia. Resumindo: Rupert levara uma detenção, saiu da escola, não quis ir pra casa e parou numa praça próxima da cidade.
Se não fosse assustadora e se Rupert não tivesse com preocupações demais naquele dia, a cena seria bizarra: uma praça vazia, um garoto de “All Star”, uma camiseta com o símbolo das “Relíquias da Morte” e uma mochila jorrando livros pra todos os lados á tira colo sentado num banco sujo. O que era aquilo? Que dia era aquele? Tudo passara tão rápido, desde o sonho. Tudo fora tão intenso ao mesmo tempo. E o dia estava recém na metade. Tão rápido quanto o dia, o momento a seguir passou: um estalo e de repente um homem com uma estranha aparência estava ao seu lado. Rupert dormira? O que havia acontecido? As palavras vieram num ímpeto: ele aparatara. Não Rupert, o estranho homem, é claro. Mas como? Isto era possível? Ele estaria sonhando?Esta pergunta voltou á sua cabeça novamente. E logo sumiu quando o estranho homem falou:
-Convivendo com trouxas, garoto?
-Hã?- respondeu Rupert, atordoado.
-Não precisa fingir pra mim. Eu sou um também. Reconheci pela sua camiseta. Coragem a sua, usar o símbolo de um bruxo tão malvado.
-Não entendo do que o senhor está falando. –Mas no fundo o garoto entendia. O homem era potteriano também. E ele preferia acreditar nisso. Outra hipótese não era possível. Afinal, era tudo coincidência. Os fatos estranhos eram coincidência e obra da imaginação fértil abalada por um sonho. Só um sonho. Era óbvio que esse homem não era um bruxo mal-informado, era um potteriano com uma idade avançada. E só.
-Claro que entende. Não precisa fingir, garoto. Já falei. Somos bruxos, vivendo entre trouxas, como algumas raras famílias fazem, temendo a volta de você-sabe-quem. Você bem sabe que o mundo trouxa seria abalado por último no caso da ascensão daquele-que-não-deve-ser-nomeado.
-Eu já falei, eu não entendo. Se o senhor não parar de falar assim comigo, eu vou embora.
-Seus pais não te explicaram?
-O que? Que eu deva dar papo para velhos malucos na rua?
-Sobre o mundo dos bruxos? Você foi criado como trouxa, mas sabe das suas origens, não sabe?
-Isto tudo é uma tremenda loucura. Passar bem.
-Pobre garoto, vivendo sem saber o que é. – Estes foram os resmungos do velho, que só agora Rupert percebera, era um mendigo. Ele passava de banco em banco, ora ia, ora voltava, e assim ficou. Até a hora que Rupert adormeceu. Pensando na loucura que vivera nas últimas horas e na falta de nexo das palavras do potteriano maluco e mendigo.

Tudo ficaria claro nos próximos dias. As respostas seriam encontradas. Rupert pensava convicto, sentado numa ponte. Este era um sonho comum que ele tinha. Sempre ficava sentado em uma ponte – sempre a mesma ponte- pensando nos acontecimentos importantes de sua vida. Era uma coisa incomum. Ele não conhecia ninguém que parasse numa ponte, em um sonho, pensando no que ocorria durante o dia. Ele era definitivamente anormal. Então, ele acordou dos seus devaneios e ouviu uma voz ao longe, no horizonte da bela paisagem que sucedia o rio.
-Rupert! Rupert! Rupert! Meu filho, acorde! Acorde querido!
E então novamente Rupert acordou. Na sua frente, não estava o espelho com as figuras. Aquele não era seu quarto. Seu cabelo era ruivo, pelo que ele pôde perceber no espelho pequeno colocado na parede ao lado da sua cama. Ao seu lado também, estava ele: Harry Potter. Deitado na cama ao lado da sua, dormindo. E quem o havia chamado era ninguém mais ninguém menos que Molly Weasley. Como todo potteriano, Rupert quase morreu. Mas não naquele momento. Afinal, ele estava no quarto de Rony Weasley, com Harry Potter dormindo na outra cama e Molly Weasley chamando-o de filho. O QUE ERA AQUILO?





CAPÍTULO 2

-Pelas-barbas-de-Merlim!-Exclamou Rupert. Se bem que pelo simples fato dele estar em pé e ter notado que rejuvenescera uns 3 anos já era algo pra se espantar. Mas existem coisas que não é qualquer mortal que pode e estar com Molly Weasley e Harry Potter no mesmo quarto é uma dessas coisas. –Você? Você é Molly? E é a minha...
-Mãe. Sim. Faz 11 anos, meu filho. O que houve? Resolveu fazer palhaçadas com sua mãe também, assim como seu irmão Percy?
-E este é... – apontando para a cama que o menino-que-sobreviveu descansava, Rupert temia a resposta.
-É o Harry, meu filho. Agora chega de brinc...
-ESTE É HARRY POTTER? HARRY POTTER? HARRY POTTER! – os gritos acordaram Harry. Devem ter acordado o planeta inteiro, mas a única coisa que Rupert pensava agora era: ele era filho de Molly Weasley. Ele era um bruxo! Mesmo que em sonho, ele era um bruxo. Ele, Rupert, era um bruxo!
-Dá pra parar de gritar, garoto? Quem você pensa que é pra me acordar?- Aquele não era exatamente Harry Potter. Era um garoto com ar arrogante. A aparência era a de Harry, claro, mas o comportamento não. Talvez só agora Rupert percebera o que a mãe falara segundos antes: Percy, o garoto exemplar, fazia travessuras para a mãe? Harry Potter, o doce Harry, era estúpido? O que mais faltava agora?
-Preparou meu café, mulher?
-Sim, querido, está lá. Do jeito que você gosta. - Algo na forma como Harry chamara Molly de “mulher” estava estranha. A forma como Molly respondera também e isto só servia pra deixar Rupert mais confuso. Assim que Harry saiu, batendo a porta, Molly sussurrou, com uma careta: - Garoto insuportável. Só está aqui porque Tiago e Lilian foram passar uns dias com os Malfoy, mas você está farto da história, não é? O mesmo de sempre. O mimado Potter não quer estar no mesmo lugar que o doce Malfoy. Eu queria mil vezes ter aquele loirinho em minha casa. Ele é tão querido... –Agora estava tudo perdido. O que era aquilo? Malfoy bonzinho, Harry mimado, os Potter na casa dos Malfoy... Aliás...
-Você disse Lilian e Tiago? Os pais de Harry? Mas, mãe, eles não morreram? – Sim, era melhor entrar no joguinho e chamar Molly de mãe, afinal, dali a pouco ele acordaria e tudo estava acabado.
-Morreram? Lilian e Tiago Potter mortos? Você tomou algo antes de ir dormir, meu filho? Não aceitou nenhuma erva sobrenatural da narcótica da Lovegood, aceitou?
-Ã? Que você está falando? Mas enfim, Voldemort, ele matou os Potter. Só sobrou Harry, o Harry, o eleito.
-Não, meu filho. Voldemort tentou matar, mas só conseguiu estuporar, lembra? Aliás, eu não acredito nisso. Foi tudo um grande segredo. Só o que se sabe é que os três sobreviveram e Voldemort morreu. Dumbledore acredita que não. Confesso que eu também não acho que não.  Mas é melhor você ir tomar seu café da manhã, ou vai perder o trem. Primeiro dia em Hogwarts, querido! Que orgulho!
-E o Harry? – Rupert tentou desfarçar a euforia. Ele iria pra Hogwarts? Naquele dia? Naquele instante! Com Harry Potter!
-Lilian e Tiago vão vim buscá-lo. Agora desça.
Rupert, atordoado com tudo, desceu. Encontrou o tradicional relógio na cozinha. Todos os Weasley estavam lá. Menos Rony. E no lugar, estava Rupert. Ele era Rony. O que? Ele era Rony! Como assim? Era demais pra ele. Ele se sentou e comeu. Na mesa, o Sr. Weasley falou:
-Preparado pro primeiro dia de aula, Rupert?
-Ã... Sim. É, estou.
-Nervoso. Eu compreendo. E você Harry?
-Sim. Sempre estou. Afinal, seu cargo de ministro da magia será meu um dia.
-Assim que se fala garoto!
Mais uma novidade: o Sr. Weasley era o ministro da magia. O mundo dos bruxos estava de pernas pro ar. Apesar de tudo, Rupert acompanhou os pais e os irmãos para a plataforma 9 ¾, conversou sobre quadribol com o Sr. Potter e teve que agüentar humilhações do odiado Harry Potter. A despedida foi regada á lagrimas da mãe e do pai, beijos em Gina, a caçula, e a ansiedade de entrar no trem. Mas onde estava Hermione? Ele sabia o que o aguardava em Hogwarts, se não acordasse antes. Afinal, era claro que era tudo um sonho. Um bizarro sonho. Eles entraram no trem, se separaram. Rupert notou que os Weasley estavam todos com vestes da Lufa-Lufa e que Harry estava conversando num vagão ocupado por alunos com uma cara de malvados. Talvez se tornariam sonserinos nas próximas horas.
Sozinho, num vagão, Rupert passou a maior parte do tempo. Até a entrada de uma linda menina. Ela tinha os cabelos cacheados e volumosos. Era Hermione Granger.
-Olá! Eu sou Hermione Granger. Mas você deve conhecer os Granger, tradicional família bruxa. Você deve ser o Weasley. Filho do ministro da magia. Parabéns. - Hermione tinha o ar mandão tradicional dos livros, mas era bruxa. Pelo jeito, era sangue puro. Isto definitivamente era mais uma novidade. Era só mais uma, depois de descobrir que Neville não tinha um sapo, mas um gato de estimação, que Luna na verdade era uma viciada em “frutas sobrenaturais”, como dissera sua mãe, por influência do pai, que estava em Azkaban por tráfico de cogumelos mágicos. Ela era criada pela mãe, que não abandonara o hábito de “batizar” as refeições da filha, porque as tais frutas, segundo ela, faziam bem á saúde. Como Rupert já sabia, Malfoy era um menino simpático e logo eles se tornaram grandes amigos.
A viagem foi tranquila. Rupert comprou muitos doces do carrinho do Senhor Filch, um adorável vendedor de doces. Não, ele não era mais um zelador chato. Mas agora, que estavam todos em Hogwarts, sendo levados de barco por Hagrid, um pequeno e bonito homem, que era o guarda-caças, Rupert não se conteve e soltou exclamações ao ver de perto a sua tão desejada escola. E o melhor! Uma escola bruxa! Hogwarts era um belo castelo. Os jardins eram muito bonitos também e isto Rupert teve que concordar: pelo menos lá, estava tudo normal. Agora, o que tomava os pensamentos dos novos alunos era a seleção. Pra que casa iria Rupert?
Estavam todos em fila, seguindo pelo meio de todas as mesas das casas. Na frente, a figura amável de Dumbledore, vista ao vivo pela primeira vez. Mas seria mesmo a primeira vez? Se foi impressão ou não, Rupert não soube, mas pareceu que Dumbledore havia piscado para ele.  O garoto deixou pra pensar nisso depois, afinal, o chapéu estava cantando:

Um visitante este ano nós temos
Pra mostrar que do mal fugir nós podemos
Pra provar que os trouxas são do bem
E que pra sempre estaremos bem
Atenção, valentes Grifinórios!
Ouçam bem, inteligentes Corvinais!
Os sedentos Sonserinos cautelosos devem ficar
Porque até mesmo os Lufanos deverão se superar.
Sem aplausos. Sem risos. Apenas silêncio. Ninguém entendeu o que o chapéu quis dizer. Todos se olhavam. Os professores estavam desconfortáveis. Os monitores ficaram tossindo. Dumbledore puxou as palmas e o clima de tensão se quebrou. A cerimônia começou. Os nomes foram sendo chamados e Rupert sabia a ordem de cor. Porém os resultados foram estranhos: Luna foi para Lufa-Lufa, Harry foi para a Sonserina, Hermione para a Corvinal. Neville, que estava com uma espécie de amuleto semelhante ao de Luna, provavelmente teria ganhado dela, foi para a Grifinória, como nos livros. Malfoy se juntou á Neville na Grifinória. Então se ouviu o nome de Rupert:
-Senhor Rupert Alden.
E então Dumbledore parou. Todos pararam. Era o último nome e todos estavam com fome. Mas a atenção que Harry não teve e que deveria ter, Rupert obteve. Obteve de Dumbledore.
E então, sem delongas, o chapéu falou.


CAPÍTULO 3
-Temos aqui um Weasley. Poderia te colocar na Sonserina, como todos os seus irmãos. É inteligente, Corvinal te cairia bem também. Se acha de lado em tudo? Lufa-Lufa seria perfeita. Mas o cotado para a vitória deve ser o autêntico lutador. Você vai para a Grifinória!
O salão inteiro aplaudiu. Dumbledore sorria, os professores sorriam. A mesa da Grifinória estava contaminada com uma imensa alegria. Ver de perto toda a emoção e a tensão da seleção dos alunos era emocionante. Os pêlos dos braços de Rupert estavam eriçados. Ele se sentia importante. Se sentia parte de um time. O time da Grifinória. Já sentado á mesa, Malfoy parecia em casa. Ou melhor, agora ele estava em casa. Neville comia como se o mundo fosse acabar naquele momento. Por um instante pareceu que ele havia comido antes mesmo da comida aparecer. Rupert parou de criticar Neville, agora seu amigo, porque ele estava fazendo  certo. A comida era deliciosa.
O mais novo potteriano morador de Hogwarts estava com uma coxa de galinha numa mão e suco de abóbora na outra. A boca estava cheia da mistura de coisas que nem o mais inteligente dos homens poderia decifrar. Ao virar o rosto, o garoto viu Luna. Como ela era bonita. A mesa da Lufa-Lufa se transformou em um borrão e agora só era possível enxergar Luna. Será que a loira, com olhos tão profundos –sim, profundos- estava olhando para ele ou era impressão? A cutucada que Malfoy o deu mostrou que definitivamente não, não era impressão. Luna piscou e quando um aceno estava sendo esboçado, todos se viraram com um grito do chapeu seletor:
-Que que a senhorita está fazendo aí, hein, mocinha?- O chapeu aparentava estar bêbado e se referia á Hermione que neste momento tentava, sem nenhum sucesso, esconder o rosto. –Você tem que ir pra Grifinória, e não pra Corvinal! Sai, sai, sai logo! –Se tivesse pernas, sem dúvidas o chapeu estaria empurrando, ou pela fúria, chutando Hermione para a mesa da Grifinória. A menina, atordoada, se defendeu:
-Mas, senhor, todos viram, você disse Corvinal! Corvinaaaaal! E não Grifinória! –Com o tom de sabe-tudo da menina, Rupert pensou afinal, que nem tudo estava perdido.
-Senhor Chapeu – interveio Dumbledore – Receio ter que admitir, mas o senhor falou que nossa adorável senhorita Granger estava na Corvinal. Aliás, o senhor está fora de si. Quantas vezes eu o disse para não beber antes da cerimônia de seleção? – Ouviram-se risos. Fred e Jorge, na mesa da Sonserina, pediam para todos ficarem quietos, porque isso era um desrespeito á figura de Dumbledore e do pobre chapeu seletor. Distintivos de monitores reluziam no peito dos gêmeos, que vistos ao vivo, não eram tão idênticos. – Mas enfim, isso é coisa para se resolver depois. Afinal, para onde vai a senhorita Granger?- Todos se voltaram para o chapeu, que agora dormia. Os olhares ficaram então divididos entre Dumbledore, Hermione e o chapeu . Já que agora sem chapeu, não existia seleção. Mas num passe de mágica, literalmente, Dumbledore fez acordar um chapeu que nem parecia mais o mesmo. Com um ar sério, ele se dirigiu á todos e com um ar de chapeu seletor, falou:
-Definitivamente, Grifinória! E se me perdoa – o chapeu voltara-se para Dumbledore – isto não vai se repetir mais, professor.
-Continuemos o banquete. Resolvo isto depois. -disse Dumbledore, sempre com um ar triunfal.
Hermione, ainda assustada, foi para a mesa da Grifinória e sentou-se ao lado dos meninos. Ela resmungou algo parecido como “meu pai saberá disso” e a noite prosseguiu. Aliás, foi uma noite e tanto. Após os incidentes, Rupert percorreu o castelo e chegou ao seu dormitório. O dormitório dos alunos do primeiro ano. A sua cama. A dúvida era se aquela seria sua cama por bastante tempo. Rupert esperava que o sonho durasse muito tempo. Então, finalmente repousou seu rosto no travesseiro. Ele iria dormir durante um sonho. Isto era estranho. Mas a dúvida era: aquilo tudo era realmente um sonho?
Todos eram diferentes, Harry Potter era Harry, só Harry. Hermione era sangue puro. Malfoy era grifinório. Luna havia piscado para ele. O que era aquilo? Dumbledore também havia piscado para ele, agora Rupert acreditava nisso. Sem dúvidas, a experiência com esses questionamentos que Rupert obteve ao ler 64 vezes os 7 livros “Harry Potter” mostrou que tudo se resolveria. Talvez amanhã, depois, dali a semanas, meses. Mas as respostas viriam. Teriam que vir.
 De repente, o garoto se viu acordado, uma figura de preto em frente a sua cama. Sem hesitar, o garoto perguntou:
-Quem é você?
Então, a figura deixou cair o seu manto preto. Por baixo, via-se que era uma garota, com lingerie amarela. Sem ao menos se importar se os outros garotos ouviriam, Luna Lovegood sussurrou:
-Me possua! – Com movimentos suaves, deitou-se na cama. Rupert, mesmo sem saber se era isso que desejava, tentou fazer com que a menina – e que menina - saísse da cama. Mas não conseguiu. Foi ao perceber que tudo aquilo era impossível, já que ela tinha apenas 11 anos e que ele também mudara sua idade ao passar para o mundo mágico, que tudo se dissolveu. E então Rupert acordou. Já era dia em Hogwarts. Já era hora de se levantar. Como conseguiu, com o ataque de risos que estava tendo, ninguém jamais saberia. Mas que havia sido engraçado, havia. Ele estava em Hogwarts! Prestes a ter uma noite de amor com Luna Lovegood! Pena que fora tudo um sonho.
-Bom dia.
-aaaaaaaaa! Ah! É você, Draco. Espera!É você?! Não foi um sonho?! Eu estou em Hogwarts?
-Acho que sim. –disse Draco, hesitante.- Mas porque o espanto?
-Nada. – Rupert preferiu não comentar nada, afinal seria chamado de louco e iria para o Hospital St. Mungus. E isto definitivamente não estava nos planos de ninguém.
E então, Rupert percebeu. Na cama, estava um pedaço de pergaminho. O pergaminho era prateado, parecia que estava enfeitiçado. O pedaço de cordão que o envolvia era dourado e podia se enxergar, em preto, os dizeres:


Caro senhor Weasley Alden;
Ao abrir o papel, mesmo receoso, o garoto lera:
O espero na minha sala, após o almoço, para tratar assuntos de seu interesse. Espero que esteja gostando de Hogwarts e do mundo dos bruxos. Desculpe, mas comi o doce que estaria junto com o bilhete.
Grato pela atenção,
Professor Alvo Percival Wulfric Brian Dumbledore, Ordem de Merlim, Primeira classe.

Então ele sabia? Então Dumbledore sabia que ele era trouxa! “Espero que esteja gostando do mundo dos bruxos”. Isto foi uma insinuação, sem dúvidas. Mas o que teria Dumbledore pra falar com Rupert? E agora que percebera: Sim, ele era trouxa! Como iria participar de uma escola para bruxos? Afinal, agora, depois de uma noite, todos sabemos: nada daquilo era um sonho.  

CAPÍTULO 4
Novamente, desde que chegara á Hogwarts, Rupert deixou os questionamentos de lado e passou a aproveitar sua passagem por ali. Juntos, ele, Draco e Neville foram rumo á saída,onde encontraram Hermione chegando.
-Já tomou café, Hermione? – perguntou Neville.
-Ah, não. Eu estava no corujal, mandando uma correspondência para meu pai. Ele precisa saber do que aconteceu ontem.
-Realmente, foi muito estranho. – disse Draco, olhando para os amigos e novamente para Hermione – Mas não é de hoje que comentam que o Chapeu sofre com o vício em bebidas alcólicas trouxas.
-Meu pai contou que quando ele foi criado, Salazar deixou cair um litro de bebida, que ele usaria para uma poção, em cima do chapéu. –Acrescentou Neville.
-Estranho, meu pai, que é o bruxo mais inteligente que existe, nunca me contou nada. –Hermione mantinha seu ar de sabe-tudo e orgulho do pai.
-Vamos tomar café? Minha barriga está doendo. –Disse Rupert, massageando o abdome.
-Vamos. Afinal, a Lovegood-piradona deve ter te deixado louco, não é mesmo. Falou o nome dela a noite toda. Sonhando com a viciada, Weasley? – debochou Draco.
-Não sei do que você está falando. – Mas as bochechas do pobre Rupert já o condenavam.
-Deixem pra lá essa conversa de meninos e vamos comer. Mas antes, vou pegar meu exemplar de “Quadribol através dos séculos”, para uma leitura básica. – Interveio Hermione.
Após a saída dos garotos, eles se dirigiram ao salão comunal. Porém, Rupert gelou ao passar pelas escadas movediças. Na noite anterior, ele estava cansado e pensativo o suficiente para não perceber onde estava, mas agora, bem acordado, o menino, que tinha medo de altura, parou. A altura era surpreendente e a escada se movia de uma forma assustadora. Claro, os demais meninos não reclamaram de nada, mas ele se sentou. Não conseguiria ficar em pé nem mais um instante.
-Algum problema, Rupert? – indagou Neville.
-As-escadas. –Rupert falou pausadamente, quase gemendo, quase chorando, quase implorando para Merlin salvá-lo.
-Elas estão se movendo. Se movendo. Como sempre. – observou Hermione.
-Este é o problema. – e então, num solavanco, as escadas começaram a mudar de posição e o garoto se agarrou ainda mais aos degraus, que para ele, eram a única forma de sobrevivência. A velocidade aumentou e para a felicidade dos demais garotos e de um bom número de alunos das outras casas, Rupert começou a gritar. –Pareeem! Pareeem! Eu quero a minha mãe! Eu quero a minha casa!  - O suor frio escorria pelo seu rosto e seus amigos se deitaram nas escadas e começavam a rir e apontar para ele. Somente Neville tentou acalmá-lo.
-Calma Rupert, calma!
-Fique bem aí! Essas-escadas- se-movem! – mais um movimento brusco e agora Rupert chorava. –Pelas barbas de Merlin! Me deixem descer! Eu quero descer! Socorro! Dumbledore! Mamãe! Qualquer pessoa! Faça isso parar! Eu quero a minha mãe! –então o garoto começou a chorar desesperadamente. Todos choravam também, mas de tanto rir. Neville, que até então estava sério, agora segurava os risos também. Então a escada parou. Os garotos descera para o saguão e Rupert parou de chorar. Esbaforido, se arrastou temendo e suando rumo á “Terra Firme” e o que viu não foi a melhor coisa que alguém em uma crise de nervos ou até mesmo com as vestes manchadas poderia ver. Na sua frente, estava Minerva. A professora não era nenhuma senhora. Ou melhor, a idade poderia ser avançada, mas o garoto não deixou de perceber os tons berrantes das cores das suas vestes e da echarpe rosa Pink que a professora usava. O chapéu roxo não contrastava com as vestes verdes limão e vermelhas. Os sapatos laranjas, que o trouxa poderia ver bem, já que estava de quatro, em frente a professora, não eram algo que se pode chamar de discretos.
-Pode me explicar o que foi isso, senhor? Por acaso o tem problemas mentais ou algo do tipo? Faça-me o favor, chorando como trouxas fariam na mesma situação.
-Eu-tenho-medo. Me-me-me-do. – o garoto tremia e consequentemente gaguejava.
-Pois que isso não se repita. Menos 10 pontos para Grifinória. Agora, vamos rumo ao café da manhã.
Durante a refeição matinal, o garoto recebeu os horários e percebeu que naquele dia teria somente aulas de Poções, com o professor Snape e de feitiços, com o professor Flitwick. A sua tarde estava livre para o encontro com Dumbledore. Agora Rupert pensava no que aconteceria lá. Talvez se Luna Lovegood tivesse aparecido no salão o garoto pudesse mudar seu pensamento, mas isso não aconteceu. Foi somente quando todos estavam mortos de tanto comer Bombinhas de Chocolate –que literalmente explodiam na boca e no estômago- e Pão-de-Bruxo – um pão com formato de chapeu, que tinha um buraco maior do que parecia por fora recheado com vários sabores- que a garota da Lufa-Lufa chegou. Mas já estava na hora da partida. Rupert e os amigos se levantaram e o ruivo não pôde deixar de notar que Dumbledore acenara para ele.
Pensando, Rupert prosseguiu para sua aula de Poções. Ele não poderia deixar de pensar no que o aguardava. Snape. Severo Snape seria seu professor de Poções e todos sabem que a fama do ex-comensal da morte não era boa. Porém, o que se prosseguiu foi atípico e isto não é nenhuma novidade.
Enquanto todos aguardavam na fila, Rupert não pôde parar de reparar no quão arrogante Harry Potter era. O garoto, acompanhado de outros sonserinos, era sem dúvida nenhuma uma versão de Draco para aquela loucura que ele se metera. Por um instante ele se perguntou afinal, o que seria aquilo. Foi interrompido por uma olhada descarada que Luna havia dado para ele e não pôde responder novamente. Snape abrira a porta e então as masmorras não eram as já conhecidas masmorras.
Os alunos, em fila, foram entrando na sala que estava decorada com uma faixa bem grande, com os dizeres “Sejam bem-vindos adoráveis alunos” . Ao redor, figuras brilhantes de corujas enfeitavam a parede e no teto, cordões com pássaros mágicos estavam pendurados.  Borboletas usando óculos coloridos e cordões havaianos surgiam das prateleiras, enfeitadas com portas-retrato que mostravam um Snape alegre, com duas crianças que eram a sua cara, diga-se de passagem e uma mulher. Uma linda loira. Aquela provavelmente era a família dele. O professor recebia os alunos na porta, com um sorriso e palavras de boas vindas e “oi, como vai seu pai?” “a poção que Lilian me pediu funcionou, Harry?” “O senhor Xenofilio foi grandioso ao escrever a matéria sobre os zonzóbulos, aqueles animais adoráveis” “A descoberta de seu pai no ramo das poções deveria ganhar o prêmio Descoberta de Merlin, garoto”. Cada aluno era recebido com um sapo de chocolate. O sapo de Rupert saiu pulando pela masmorra que mais parecia um salão de festas muito bem decorado. Snape fitou Rupert e o garoto, ainda não acostumado com a figura alegre e amigável do professor se assuntou quando o professor falou:
-Ah, querido, pegue-o depois. Eles não pulam muito, sabe. Você deve ser o Weasley. Espero que seja tão bom quanto seus irmãos. Os adoráveis Fred e Jorge.
Sem ironia, sem piadas de mal gosto, sem insinuações preconceituosas, sem repreensões. Este era Snape. Ele tinha uma família e era feliz, ao que tudo indicava. Por um instante, Rupert se perguntou se esta não deveria ter sido a história se Voldemort não tivesse feito horrores. Aliás, onde estava Voldemort? Novamente, uma dúvida. Novamente, surpresas. E a aula havia acabado. Uma boa aula. Isto era verdade.
Depois de capturar seu sapo de chocolate, os amigos se dirigiram para a segunda aula do dia. Era a aula de feitiços agora. Rupert, sem querer, deixou escapar:
-Vocês vão ver, o professor é bem pequeno. Ele tem sangue de anão.
Hermione, Neville e Draco encararam o amigo.
-Acho que você se enganou, Rupert.-disse Hermione, olhando para a porta da sala.
Na porta, estava a figura de uma pessoa. A maior pessoa que Rupert havia visto em toda a vida. Era alto, porém magro. Era maior que Hagrid. O Hagrid verdadeiro, não este homem “comum” que se dizia ser o guarda-caças de Hogwarts naquele sonho ou seja lá o que fosse. O professor Flitwick tinha olhos verdes, uma barba branca, de uns 3 centímetros e usava um chapéu azul. Suas vestes eram cinza.
-Olá garotos. Bem vindos á aula de Feitiços. Podem abrir os seus livros na página 4.
-Mas senhor – interveio Hermione- nós estamos no meio do corredor.
-Ah, é verdade, que cabeça a minha. Entrem, entrem. E abram o livro na página 6.
Os alunos entraram e quando iam se perguntar se a página a ser aberta era a 4 ou a 6, o professor falou:
-Bem-Vindos á aula de Feitiços. Peguem suas varinhas. E fechem os livros. –Com uma balançada, o professor fechou o livro de Neville e tirou o pomo de ouro que Harry segurava das mãos dele.
-Senhor, o senhor mandou abrir os livros! – contestou Neville.
-Eu não falei nada e a propósito, bem-vindo á aula de Feitiços. Abram os livros.
-Rupert e Draco se olharam e resolveram abrir os livros. O professor aparentava não ter um pingo de bom senso, mas era o professor, afinal.
-Bem-Vindos á aula de Feitiços. Hoje estudaremos um feitiço básico. Alguém sabe o que é?
Você deve saber quem levantou as mãos primeiro. Hermione praticamente implorava com os dedos para ser ouvida, mas Rupert resolveu dar uma de esperto e tirar vantagem do fato de conhecer a história toda.Levantou a mão e com um aceno, o professor o mandou responder.
-É o Feitiço da Levitação, senhor.-Todos soltaram risinhos e se olharam. Até mesmo o professor teve que se conter para não rir. Rupert se perguntou o porque daquilo, mas teve medo da resposta.
-Qualquer trasgo sabe fazer um objeto levitar, senhor Alden. Hoje nós estudaremos a Maldição da Morte.- Rupert arregalou os olhos e soltou uma exclamação.
-Com medo da morte, Weasley? – provocou Harry. Como aquele garoto era irritante!
-Abram os livros na página 5 e sejam bem-vindos á aula de feitiços. Agora, peguem as mesas que apareceram na varinha e mecham suas aranhas.
Todos riram. Coube á Hermione a função de corrigir o professor, hesitante.
-Senhor?
-Sim? – o professor já estava pronto para a demonstração.
-O senhor quis dizer peguem suas aranhas e mecham as varinhas, não?
-O que foi que eu disse? Não me interrompa, senhorita. Preste mais atenção na aula.
E assim prosseguiu a aula. Claro, todos estavam cansados de matar aranhas, mas Rupert estava espantado com tudo aquilo. Maldição da Morte logo na primeira aula do primeiro ano? Ou melhor, ensiná-la pra um aluno! Isso era horrível! Tirando o fato do professor ser louco da cabeça. Mas a aula acabou. Todos iriam aproveitar para escrever para a família, visitar o lago, jogar com os amigos já na sala da sua casa, mas Rupert tinha uma conversa com Dumbledore. Ele acreditava que aquela seria a hora de conhecer as respostas para todas as dúvidas. Dumbledore era um bruxo sábio e poderia ajudá-lo. E então, tudo passou num piscar de olhos e Rupert se viu em frente á sala de Dumbledore. Como entraria lá? E então, a bizarra professora Minerva apareceu no corredor e disse:
-Aí está você, Weasley. Pois bem. Vamos entrar. – Voltando-se para a estátua de entrada para a sala do diretor, a mulher falou: - Chulé de trasgo
Rupert se conteve para não rir diante da cena e entrou. Estava diante da porta do diretor quando pensou: “Vamos lá.”
E então a porta se abriu. Diante dele, a mesa do diretor e a tão conhecida sala do diretor. Pelo menos tudo aquilo era normal. Minerva se virou e foi embora. Dumbledore levantou a cabeça, sorriu, conjurou uma cadeira e disse:
-Sente-se Rupert. Escute. O mundo dos bruxos depende disso.


CAPÍTULO 5
Vagarosamente, o garoto sentou-se na cadeira e fitou os olhos azuis atrás dos óculos meia lua. Ele estava atordoado e embora Dumbledore parecesse não notar, Rupert tremia descontroladamente.
-ã, senhor? Precisa de alguma coisa?
-Não, meu caro Rupert. Não agora – então o diretor deu uma piscadela  com o olho direito- A única coisa que eu quero é que você me escute. – O tom calmo de Dumbledore era algo incompreensível.
-Sim.
-Eu sei o que você é. Sei de onde vem. Sei exatamente o que sente e o mais importante: sei o que está fazendo aqui. – o garoto só olhava. E escutava, seguindo a recente ordem. – Rupert, você é trouxa. Um tipo de trouxa não muito raro, pelo que pude saber. Você conhece a história. A nossa história. Melhor: você conhece o futuro. Mesmo que isso seja uma coisa desagradável e inoportuna.
-Desculpa senhor, mas a...
-Sim. Eu sei. A história parecia diferente. Mas ouça com atenção o que eu tenho pra lhe dizer. Existe uma profecia, Rupert. Você, como dumbledoriano...
-Potteriano, senhor. Potteriano.
-Exatamente. Você, como potteriano, sabe, naturalmente o que é uma profecia. Pois eu receio dizer que uma destas profecias diz respeito á um trouxa. Mais exatamente á você. Ao criar as horcruxes, coisa que você também deve saber o que é, Voldemort lançou um feitiço. O feitiço mais poderoso de todos que eu conheço. Um feitiço pior que o usado para criação de uma horcrux. Um feitiço que une dois mundos completamente opostos. O dos bruxos e o dos trouxas. E uma vidente, desconhecida, de poderes e astúcia tão raros quanto o dito feitiço, viu que o feitiço havia sido conjurado. A profecia havia sido feita. E como tal, iria se cumprir. A profecia conta que, usando uma inteligência digna de um corvinal, mesmo que este não o seja, Voldemort lançou tal feitiço, que serve para impedir a destruição de suas horcruxes. Até certo ponto. Elas só seriam destruídas se um trouxa, que em tese desconheceria a existência de tais coisas, penetrasse na mente do bruxo cuja alma seria dividida e quebrasse o “selo mágico”. E aí é que entra a prova de coragem de tal vidente.Ela sabia que Voldemort usaria de truques para acabar com qualquer tipo de invasão trouxa em sua mente. Ouso dizer que em seu mundo. E ela efetuou uma série de feitiços que deixariam atordoado em nosso mundo. Porém, salvo. Para você chegar, o primeiro bruxo do bem que lesse a profecia teria que te chamar. Acho que este sou eu. Então, quando você chegasse, encontraria tudo um pouco diferente, mas como nem você, nem quem te chamou, nem Voldemort seriam atacados por tal confusão, você seria orientado a fazer o que se deve. Isto é o que neste exato momento eu estou fazendo. - Rupert só pôde suspirar. Ele não entendera direito, era tudo muito complexo. A única coisa que sabia é que havia sido chamado para quebrar um selo que impede a destruição das horcruxes. Ele estava sendo protegido por um feitiço, que alteraria tudo, menos ele, o próprio Voldemort e neste caso, Dumbledore. –Eu sei que isto é complicado para uma cabeça trouxa, por mais esperta que seja, mas a verdade é esta. Você deve quebrar o selo, Rupert.
-Então é por isso que tudo está de pernas pro ar?
-Sim. Ninguém sabe o que realmente está acontecendo e os feitiços se desfarão quando o selo se quebrar.
-E  onde está a tal cartomante?
-Vidente, Rupert. A vidente efetuou feitiços que pessoas na condição de saúde dela não deveriam. Então, o pior aconteceu.
-Ela morreu? Pra me proteger?
-Infelizmente sim.
Rupert ficou pasmo. De repente, tudo fez sentido. E logo em seguida uma sensação de culpa surgiu. Seguida pelo medo. Se a vidente havia morrido, imagine ele! Era uma magia forte que estava ali e ele, um trouxa, deveria lutar contra ela! Lágrimas começaram a cair. Rupert devia lutar. Devia salvar o mundo dos bruxos. Devia vingar a morte daquela que havia salvado sua vida. Mais um sentimento se somou á ele e então a decisão estava tomada. Ele iria lutar. Mas ainda havia dúvidas. –Senhor, se nem Voldemort, nem essas coisas horríveis que acontecem, existissem, tudo isto seria real? Todas as histórias, por mais loucas que sejam, seriam verdadeiras?
-Não devemos pensar no que aconteceria. Devemos pensar no que está acontecendo. Mas algumas coisas, sim. As demais, não. A senhorita Luna, por exemplo, deveria estar aqui somente no ano que vem. –Ao ouvir aquele nome, Rupert gelara. Dumbledore sabia dos sonhos com Luna? Rupert achava que não. –Mas não é porque está acontecendo na sua cabeça que não haveria de ser verdade, Rupert.
-E se o selo for quebrado, tudo voltará a ser como antes?
-A maioria das coisas. Mas as horcruxes poderão ser destruídas. Mas isto o futuro dirá.
-Eu conheço o futuro, posso ajudar.
-Sei que você sabe coisas que ninguém mais sabe Rupert. Mas  mexer com o futuro nunca é saudável. Prefiro viver o presente e encarar o amanhã como este deve ser encarado.
-Mesmo se...
-Eu ficarei bem, Rupert. Agora, receio dizer que sua tarefa não é fácil. Você entrará na mente do bruxo mais cruel de todos os tempos. Você entrará na mente mais horripilante. Será pior que qualquer horcrux. Será pior que tudo. Mas só você pode fazer isso. Só você tem sangue bruxo inativo.
-O que é isso, professor?
-Ancestrais seus eram bruxos. Você tem traços bruxos em seu sangue. Mas ele é inativo, porque a grande maioria de você é trouxa.  Mas mesmo assim, entre os trouxas, você é único. Só você tem sangue desta forma e conhece Hogwarts e seus mistérios de perto.
-Como falar com as cobras? Poucos nascem com esse dom?
-Sim. Agora, uma pergunta. Será difícil. Você quer ir?
Rupert pensou. Era necessário. Sem isso, o selo nunca seria quebrado. Nada mais poderia ser feito. Era questão de tempo para Voldemort surgir. E tudo estaria perdido. As mortes seriam em vão. A história seria alterada. Sim, afinal, o bem não venceria no final e nada estaria bem. Os livros não seriam mais os mesmos ou talvez nem existissem. Nenhum potteriano existiria. Tudo estaria mais sombrio. Só ele poderia mudar isso. E seria ele quem faria.
-Definitivamente, sim. Sim, eu lutarei, professor.
 -Boa sorte, Rupert.
-Mas, professor? – o alto homem havia ido em direção a sua mesa. Ao ouvir a voz de Rupert, ele se voltou para o garoto e o fitou parado.
-Sim?
-O que acontece se eu não conseguir?- Dumbledore pensou. Foi até a janela. Olhou para o belo campo de Hogwarts. Parou. Suspirou. Falou.
-Estamos num caos. Os feitiços se tornariam eternos. E a história,da forma como você conhece, seria falsa.
-Desconfiei.
-Você quer mesmo ir? – Agora o homem olhava para o garoto. O bruxo olhava para o trouxa. Parecia que não era isso que Dumbledore queria. Se pudesse, ele iria sozinho. Mas na verdade, só Rupert era capaz. Ele teria que ser sacrificado. Assim como Harry seria.
-Sim.
Então Dumbledore ergueu a varinha e lançou sobre um quadro vazio, que Rupert ainda não havia notado, um feitiço que fez brotar ali um grande portal. O portal tinha a cor rosa e parecia ser formado por massa de bolo numa batedeira.
-Entre aí, Rupert. E lembre-se: o bem sempre vence no final.
Rupert concordou com a cabeça e partiu rumo a um futuro desconhecido. Ao chegar em frente ao portal, sentiu como se nada daquilo fosse real. Como se tudo tivesse sido um devaneio e por um instante se perguntou se aquela era a hora dele acordar dum sonho anormal. Mas como isso não acontecia, ergueu o pé para dar o primeiro passo e foi interrompido por Dumbledore.
-Rupert?
-Sim. – agora era o garoto que havia parado e se virado para Dumbledore.
-Vá com Deus. – Rupert pareceu atordoado. E então questionou.
-Ele, - olhou brevemente para cima e teve vontade de apontar – existe?
Dumbledore só riu.
-Trouxas... Sempre achando que são os seres superiores deste mundo. Nem sempre o que não podemos é falso, Rupert.
O garoto concordou e partiu. Não houve gritos, nem dor, nem vôos. Ele simplesmente surgiu. Num lugar parecido com o que ele havia visto Dumbledore pela primeira vez. Porém, agora era tudo branco.
Como aquilo podia ser real? Não fazia sentido! Ao descobrir que teria que entrar na mente de Voldemort, ele pensou ser algo bem pior. Mas não era. Estava tudo branco e na sua frente, havia um baú. Nele, estava um cadeado. O cadeado era dourado e dele saia uma luz que Rupert nunca havia visto. Mas ela era hipnotizante. Chamava Rupert ao encontro dela. Era como se ele precisasse daquilo mais que tudo na vida. Rupert correu. Ao encostar no cadeado, algo inexplicável aconteceu. Imagine a sensação que você tem ao comer sua comida predileta. Ao beijar a pessoa que você ama. Ao deitar-se na cama e dormir, após um dia de esforço. Imagine a sensação que você tem ao rir sem medo de nada. Ao estar com seus amigos, ao tirar uma nota 10. Imagine a sensação que você sente quando ganha o último lançamento da sua série predileta ou a sensação que sentiria ao estar frente á frente com seu ídolo. Imagine que tudo de bom tivesse caindo em você. Agora junte todas essas sensações, aliadas ao desejo desesperador de que aquele toque nunca acabasse. Aquela era a sensação que Rupert sentia. Ele poderia pegar uma cadeira e sentar-se ali. Pelo resto da vida. Não se importava que os outros precisassem dele, ele ficaria ali. Mas então se lembrou do propósito da sua visita, e quando percebeu que teria que largar aquele cadeado, por mais difícil que fosse, tudo escureceu.
Somente a luz do baú era visível. Nada mais. Então, uma voz, horripilante, assustadora, a pior voz que um ser pode escutar, falou:
-Resista ao bem! Resista! Viu? O bem não é o melhor! Seja mal! Seja mal! Escolha as coisas ruins e seja feliz!
-Cale a sua boca! – gritou Rupert para a voz, que parecia ser a de Voldemort. –Lutarei até o fim! Você morrerá! O mal sempre perde, Lorde das Trevas! – Rupert largou como um raio aquele cadeado e gritava com Voldemort como se estivesse gritando com o cachorro que acasalava com a cadela da vizinha.
-Resista, trouxa! Resista aos seus medos!
Ao ouvir aquela palavra, tudo gelou. “Medos”. Rupert estava arrepiado! Parecia que todo aquele perigo estava sendo notado pelo seu cérebro e Rupert desejou fugir dali. Mas era tarde demais. Ao seu lado, uma luz vermelha e um homem aparatara.
-Eu tenho vergonha de você, seu idiota! Eu sempre desejei um filho que fizesse as minhas vontades. Eu sempre desejei um filho que jogasse futebol no time da escola. Um filho que eu tivesse orgulho de dizer que era meu filho. Um filho que não me causasse vergonha perante meus amigos. – a figura do pai de Rupert vinha na direção dele. – Seu idiota! Você é um fracasso, uma verginha!
Mal teve tempo de chorar e Rupert já estava vendo ao seu lado outra figura. Esta era a menina mais espetacular da face da terra. Como se toda a beleza existente estivesse caído sobre uma menina só. Era Letícia, o amor da vida de Rupert. A menina que o ignorara tantas vezes.
-Olha quem está aí! – a garota agora batia palmas, ironicamente, indo rumo á Rupert- o feioso, verruguento, fedorento do Rupert cara de cebola! – agora ela ria!- Francamente, pirralho, você pensou que eu, a mais linda de todas as meninas lindas da face da terra, gostaria de ter alguma coisa com você? – sem esperar resposta, ela cuspiu as palavras na cara dele- Não! Óbvio que não! – agora fazia uma cara de nojo. – Você tem que se tornar algo que é impossível se tornar. Nasça de novo! Quem sabe...
Rupert chorava descontroladamente. Todos os seus medos, vergonhas, arrependimentos, culpas, estavam sendo jogados cruelmente pelas piores pessoas na sua cara. Não que eles fosses más pessoas, mas definitivamente, ali, naquela “encarnação” não eram. Mas quando todas as piores sensações surgiram, Rupert se esqueceu do que viera fazer ali. Somente a dor estava dentro dele. Mais nada. Então, do lado dele, surgiu um menino loiro, alto, olhos azuis e roupas de marca. Ele tinha o cabelo lambido e era extremamente lindo. Rupert viu nele desprezo. Somente isto estava estampado na cara do menino-lindo.
-Rupert, seu grande bosta! – começou o garoto- Já parou de chorar por ser pior que eu nos esportes, por ter sido pior que eu nas provas ao longo do ano, por ter perdido a bolsa de estudos, a vaga em Harvard? Eu sou melhor que você, seu merda, pobretão! – Agora, literalmente, Rupert havia sido cuspido.
De repente, figuras assustadoras surgiram. Imagine bichos papões, fantasmas, cobras, aranhas, cachorros bravos, seres do pior tipo possível. Imagine todas as coisas que você teve medo na sua vida e agora imagine elas subindo em você e te atacando. Isto era o que Voldemort estava fazendo para derrotar Rupert. O garoto gritava, pensava em desistir, mas a causa era maior. Ele precisava chegar ao baú, agora cada vez mais longe. De repente, uma das piores cenas entre todas aquelas assustadoras figuras vermelhas roubou a atenção de Rupert. Aquele que representava seu pai estava agarrado na sua mãe, que surgira agora e batia nela incontroladamente. Ele apontava para Rupert, falava com ela e batia. Batia de todos os jeitos, em todo o corpo e a mulher não tinha forças nem para levantar ou gritar. As criaturas se agarravam á todas as partes de Rupert e ele só pensava em correr para salvar sua mãe. Quando chegou mais perto, ouvia: “Tome esta por botar esse garoto no mundo, sua vadia”. “Tome essa por deixá-lo desse jeito” “Tome essa por não me dar o filho homem do jeito que eu queria”. Rupert não sabia o que fazer. Eram criaturas por todo lado e ele não conseguia chegar á sua mãe. Ele corria, mas não saía do lugar. Ele deveria lutar contra Voldemort. Possibilitar a destruição das horcruxes, mas não conseguia. Então, ele se lembrou. O bem sempre vencia. O amor. A amizade. Todas as coisas boas que aconteceram na vida dele. As loucuras com seus amigos, seu primeiro beijo, suas vezes no cinema assistindo “Harry Potter”. As vezes que recebia presentes, abraços, beijos, do pai e da mãe. Afinal, apesar da frieza, haviam momentos de amor com seu pai. Raros, portanto mais valiosos ainda. Então ele se lembrou. Nada daquilo era real. Era tudo um truqye de Voldemort. Seu pai não era um monstro e apesar de chatos, Letícia e o menino-lindo não eram seres horríveis daquela forma. Então, tudo se dissolveu. As criaturas, sempre imaginárias, desde a infância, tornaram-se nada. Tudo sumiu. Sem perceber, Rupert estava sozinho na escuridão, novamente e o baú estava na sua frente. Rupert fez o que deveria ser feito.
-Começa aqui e agora, a sua destruição, Tom! – da varinha de Rupert surgiram seres azuis, lindíssimos. Não era o patrono, mas era lindo aquele feitiço. O baú se quebrou. Lá dentro, não havia nada. Tudo havia acabado.
-Você pagará, trouxa! – gritou a voz horripilante.
-Não. Agora é o começo do fim.
E então, como num passe de mágica, acabou. Tudo ficou banco novamente e a mente de Voldemort parecia vazia. Definitivamente, naquele momento, o resto da humanidade de Voldemort havia sido apagada. Deletada. Morta. Voldemort teria o fim que merecia afinal. Então, estava Rupert parado, naquela imensidão azul, idêntica á do seu sonho, o começo da aventura. Tudo exatamente igual. Ele viu que Dumbledore chegava perto dele. Rupert sentia um frio na barriga.
-Obrigado, Rupert. – falou Dumbledore.
-Obrigado por ter me colocado aqui, Dumbledore. Foi maravilhoso viver em Hogwarts por um tempinho. Se não fosse a mente de Voldemort, seria perfeito.
-Nada é perfeito, garoto. Mas não se deixe iludir. O que acontece na mente dos outros lá deve ficar. Não se deixe levar pelo que ouviu. Receio que foram coisas horríveis.
-Sim. Foram.
-Espero poder lutar contra isso. Espero ajudar a dar um fim neste sofrimento.
Rupert quase disse que talvez isso não fosse possível, afinal, Dumbledore morreria antes da grande batalha, mesmo tendo enfrentado Voldemort antes. Porém, Dumbledore interrompeu o raciocínio de Rupert.
-Nos vemos em breve. –Dessa vez, Rupert sabia que não. Mas enfim... Tudo acabou. A atmosfera sumiu, tudo sumiu e Rupert estava em seu quarto, novamente. Definitivamente, nada havia sido um sonho. Mas o que havia sido nunca ninguém soube. Afinal, Rupert ajudara no combate. E tudo estava bem.