“E um dia eu estava em Hogwarts”
@Um_Bruxo
CAPÍTULO 1:
Não havia som algum. A atmosfera estava coberta de uma
neblina de aspecto estranho. Não chegava a ser líquida, mas também não era
gasosa. Não era possível enxergar quase nada. Quase tudo azul. Somente uma
figura chamou a atenção de Rupert: um chapéu, chapéu de bruxo. Um homem com uma
grande barba branca e os olhos exageradamente azuis. Era Dumbledore. Por mais
que andasse na atmosfera azul, um azul idêntico aos olhos do bruxo, diga-se de
passagem, Rupert não saía do lugar. De repente, o bruxo veio ao seu encontro.
Dumbledore estava indo ao seu encontro! Que esplêndido, pensaria o potteriano.
Mas não naquela situação. Havia algo errado. De repente, Dumbledore, já na sua
frente, fitou-o e disse:
-Nos vemos em breve. - Dumbledore sumiu, a atmosfera
estranha sumiu. Tudo sumiu. Rupert acordou assustado. Em um pulo, mas acordara.
Fora tudo um sonho.
Em sua frente, o espelho, coberto de pôsters da sua saga
predileta e de imagens das “Relíquias da Morte”, ainda tinha um pequeno espaço
descoberto e era neste espaço que Rupert via seu reflexo todas as manhãs: seus
cabelos pretos, seus olhos castanhos, sua estatura média, seu corpo magro.
Aquele era Rupert. O fã de Harry Potter, como todos o conheciam. O potteriano
Rupert. Como toda manhã, seguindo sua
rotina insuportavelmente trouxa, ele vestiu seu uniforme escolar, deu um beijo
no maior pôster da Emma Watson que qualquer ser humano poderia imaginar estar
pendurado num quarto e desceu. As escadas, como era de se esperar, não
continham nenhum armário e na parede da cozinha não tinha nenhum relógio
mágico. Mas havia sua mãe, a incompreensível, porém amada mãe. “Esse Harry
Potter de novo?” sempre perguntava a mãe, mas ela era trouxa, então, estava
tudo bem.
-Dormiu bem, meu filho?-perguntou a mãe, colocando café numa
xícara com a foto de Rupert Grint.
-Sim, mãe. Xícara maneira.
-Preparei pra você. Afinal, você era do tamanho de uma
ervilha e eu pensei no seu nome. Por ironia do destino, está você, aí, fã de
uma pessoa com mesmo nome.
-Pra mim, esse tal de “Réuri Poti” é coisa de veadinho.
-disse o pai. Sempre incompreensível. Pra ele, a vida do filho tinha que ser
“como a dos outros garotos”. Futebol, garotas, vídeo game. Mas o menino só
vivia para uma história infantil. Ele já estava com 16 anos! Mesmo que Rupert
tivesse 14, o pai desconhecia. Sempre fora assim. Trabalho e mais trabalho.
Como estava sendo naquele exato momento. Ao invés de passar o café da manhã com
a família, ele saiu logo após a chegada do filho na cozinha.
Após o café, Rupert pegou seu ônibus trouxa, entrou na sua
escola trouxa, conversou com seus colegas trouxas, “avadou” mentalmente sua
professora, que também era trouxa. Desejou realmente encontrar a entrada pra
Câmara Secreta no banheiro, durante o intervalo, mas o máximo que conseguiu foi
escutar FUNK, saído do celular de um aluno do primeiro ano. Esta era sua vida.
Sua vida, é claro, e infelizmente esta era a verdade, trouxa. Até ali, nada de
mais. Até que algo não muito comum aconteceu: Rupert lembrara-se do sonho. O
Sonho. Dumbledore estava no sonho, que parecia tão real, mas ao mesmo tempo
tão, tão, qual era a palavra? Mágico! Isto. História legal para ser contada no
seu FC no twitter, durante a tarde. Mas esta não era uma simples história. Era
algo muito estranho. Ele estava pirando, é verdade, mas pessoas loucas tinham
sonhos tão estranhos como aquele? Não. Ele achava que não. Então, sem pensar,
resolveu escrever. Pegou seu caderno de anotações potterianas, como ele chamava,
que estava sempre com ele e resolveu escrever sobre seu sonho.
As páginas estavam em branco. Como? Ele pensou. Mas nenhuma
resposta foi aceitável. Não foram aceitáveis as suas atitudes, procurando
anotações inexistentes em plena sala de aula. A professora não havia gostado de
nada daquilo. Diretoria. Ah! A tão conhecida diretoria. Fora pra lá várias
vezes, sempre pego com um exemplar de “Harry Potter” por trás dos livros de
matemática, história, geografia... Mas naquele dia? Justo naquele dia? No dia em
que Dumbledore falara com ele e que seu caderno havia apagado todas suas
anotações? Sem contar no tédio anormal que a escola trouxa estava causando
nele. Tudo, menos a diretoria. Mas não houveram desculpas. O caminho era
conhecido, mas um gato preto na janela do corredor não. A escola era antiga,
tinha uma arquitetura antiga, e tudo isto contrastou com um gato, fitando
estranhamente Rupert do parapeito da janela.
Mais um item para a lista de coisas estranhamente anormais daquele dia.
Resumindo: Rupert levara uma detenção, saiu da escola, não quis ir pra casa e
parou numa praça próxima da cidade.
Se não fosse assustadora e se Rupert não tivesse com
preocupações demais naquele dia, a cena seria bizarra: uma praça vazia, um
garoto de “All Star”, uma camiseta com o símbolo das “Relíquias da Morte” e uma
mochila jorrando livros pra todos os lados á tira colo sentado num banco sujo.
O que era aquilo? Que dia era aquele? Tudo passara tão rápido, desde o sonho.
Tudo fora tão intenso ao mesmo tempo. E o dia estava recém na metade. Tão
rápido quanto o dia, o momento a seguir passou: um estalo e de repente um homem
com uma estranha aparência estava ao seu lado. Rupert dormira? O que havia
acontecido? As palavras vieram num ímpeto: ele aparatara. Não Rupert, o estranho
homem, é claro. Mas como? Isto era possível? Ele estaria sonhando?Esta pergunta
voltou á sua cabeça novamente. E logo sumiu quando o estranho homem falou:
-Convivendo com trouxas, garoto?
-Hã?- respondeu Rupert, atordoado.
-Não precisa fingir pra mim. Eu sou um também. Reconheci
pela sua camiseta. Coragem a sua, usar o símbolo de um bruxo tão malvado.
-Não entendo do que o senhor está falando. –Mas no fundo o
garoto entendia. O homem era potteriano também. E ele preferia acreditar nisso.
Outra hipótese não era possível. Afinal, era tudo coincidência. Os fatos
estranhos eram coincidência e obra da imaginação fértil abalada por um sonho.
Só um sonho. Era óbvio que esse homem não era um bruxo mal-informado, era um
potteriano com uma idade avançada. E só.
-Claro que entende. Não precisa fingir, garoto. Já falei.
Somos bruxos, vivendo entre trouxas, como algumas raras famílias fazem, temendo
a volta de você-sabe-quem. Você bem sabe que o mundo trouxa seria abalado por
último no caso da ascensão daquele-que-não-deve-ser-nomeado.
-Eu já falei, eu não entendo. Se o senhor não parar de falar
assim comigo, eu vou embora.
-Seus pais não te explicaram?
-O que? Que eu deva dar papo para velhos malucos na rua?
-Sobre o mundo dos bruxos? Você foi criado como trouxa, mas
sabe das suas origens, não sabe?
-Isto tudo é uma tremenda loucura. Passar bem.
-Pobre garoto, vivendo sem saber o que é. – Estes foram os
resmungos do velho, que só agora Rupert percebera, era um mendigo. Ele passava
de banco em banco, ora ia, ora voltava, e assim ficou. Até a hora que Rupert
adormeceu. Pensando na loucura que vivera nas últimas horas e na falta de nexo
das palavras do potteriano maluco e mendigo.
Tudo ficaria claro nos próximos dias. As respostas seriam
encontradas. Rupert pensava convicto, sentado numa ponte. Este era um sonho
comum que ele tinha. Sempre ficava sentado em uma ponte – sempre a mesma ponte-
pensando nos acontecimentos importantes de sua vida. Era uma coisa incomum. Ele
não conhecia ninguém que parasse numa ponte, em um sonho, pensando no que
ocorria durante o dia. Ele era definitivamente anormal. Então, ele acordou dos
seus devaneios e ouviu uma voz ao longe, no horizonte da bela paisagem que
sucedia o rio.
-Rupert! Rupert! Rupert! Meu filho, acorde! Acorde querido!
E então novamente Rupert acordou. Na sua frente, não estava
o espelho com as figuras. Aquele não era seu quarto. Seu cabelo era ruivo, pelo
que ele pôde perceber no espelho pequeno colocado na parede ao lado da sua
cama. Ao seu lado também, estava ele: Harry Potter. Deitado na cama ao lado da
sua, dormindo. E quem o havia chamado era ninguém mais ninguém menos que Molly
Weasley. Como todo potteriano, Rupert quase morreu. Mas não naquele momento.
Afinal, ele estava no quarto de Rony Weasley, com Harry Potter dormindo na
outra cama e Molly Weasley chamando-o de filho. O QUE ERA AQUILO?
CAPÍTULO 2
-Pelas-barbas-de-Merlim!-Exclamou Rupert. Se bem que pelo
simples fato dele estar em pé e ter notado que rejuvenescera uns 3 anos já era
algo pra se espantar. Mas existem coisas que não é qualquer mortal que pode e
estar com Molly Weasley e Harry Potter no mesmo quarto é uma dessas coisas.
–Você? Você é Molly? E é a minha...
-Mãe. Sim. Faz 11 anos, meu filho. O que houve? Resolveu
fazer palhaçadas com sua mãe também, assim como seu irmão Percy?
-E este é... – apontando para a cama que o
menino-que-sobreviveu descansava, Rupert temia a resposta.
-É o Harry, meu filho. Agora chega de brinc...
-ESTE É HARRY POTTER? HARRY POTTER? HARRY POTTER! – os gritos
acordaram Harry. Devem ter acordado o planeta inteiro, mas a única coisa que
Rupert pensava agora era: ele era filho de Molly Weasley. Ele era um bruxo!
Mesmo que em sonho, ele era um bruxo. Ele, Rupert, era um bruxo!
-Dá pra parar de gritar, garoto? Quem você pensa que é pra
me acordar?- Aquele não era exatamente Harry Potter. Era um garoto com ar
arrogante. A aparência era a de Harry, claro, mas o comportamento não. Talvez
só agora Rupert percebera o que a mãe falara segundos antes: Percy, o garoto exemplar,
fazia travessuras para a mãe? Harry Potter, o doce Harry, era estúpido? O que
mais faltava agora?
-Preparou meu café, mulher?
-Sim, querido, está lá. Do jeito que você gosta. - Algo na
forma como Harry chamara Molly de “mulher” estava estranha. A forma como Molly
respondera também e isto só servia pra deixar Rupert mais confuso. Assim que
Harry saiu, batendo a porta, Molly sussurrou, com uma careta: - Garoto
insuportável. Só está aqui porque Tiago e Lilian foram passar uns dias com os Malfoy,
mas você está farto da história, não é? O mesmo de sempre. O mimado Potter não
quer estar no mesmo lugar que o doce Malfoy. Eu queria mil vezes ter aquele
loirinho em minha casa. Ele é tão querido... –Agora estava tudo perdido. O que
era aquilo? Malfoy bonzinho, Harry mimado, os Potter na casa dos Malfoy...
Aliás...
-Você disse Lilian e Tiago? Os pais de Harry? Mas, mãe, eles
não morreram? – Sim, era melhor entrar no joguinho e chamar Molly de mãe,
afinal, dali a pouco ele acordaria e tudo estava acabado.
-Morreram? Lilian e Tiago Potter mortos? Você tomou algo
antes de ir dormir, meu filho? Não aceitou nenhuma erva sobrenatural da
narcótica da Lovegood, aceitou?
-Ã? Que você está falando? Mas enfim, Voldemort, ele matou
os Potter. Só sobrou Harry, o Harry, o eleito.
-Não, meu filho. Voldemort tentou matar, mas só conseguiu
estuporar, lembra? Aliás, eu não acredito nisso. Foi tudo um grande segredo. Só
o que se sabe é que os três sobreviveram e Voldemort morreu. Dumbledore
acredita que não. Confesso que eu também não acho que não. Mas é melhor você ir tomar seu café da manhã,
ou vai perder o trem. Primeiro dia em Hogwarts, querido! Que orgulho!
-E o Harry? – Rupert tentou desfarçar a euforia. Ele iria
pra Hogwarts? Naquele dia? Naquele instante! Com Harry Potter!
-Lilian e Tiago vão vim buscá-lo. Agora desça.
Rupert, atordoado com tudo, desceu. Encontrou o tradicional
relógio na cozinha. Todos os Weasley estavam lá. Menos Rony. E no lugar, estava
Rupert. Ele era Rony. O que? Ele era Rony! Como assim? Era demais pra ele. Ele
se sentou e comeu. Na mesa, o Sr. Weasley falou:
-Preparado pro primeiro dia de aula, Rupert?
-Ã... Sim. É, estou.
-Nervoso. Eu compreendo. E você Harry?
-Sim. Sempre estou. Afinal, seu cargo de ministro da magia
será meu um dia.
-Assim que se fala garoto!
Mais uma novidade: o Sr. Weasley era o ministro da magia. O
mundo dos bruxos estava de pernas pro ar. Apesar de tudo, Rupert acompanhou os
pais e os irmãos para a plataforma 9 ¾, conversou sobre quadribol com o Sr.
Potter e teve que agüentar humilhações do odiado Harry Potter. A despedida foi
regada á lagrimas da mãe e do pai, beijos em Gina, a caçula, e a ansiedade de
entrar no trem. Mas onde estava Hermione? Ele sabia o que o aguardava em
Hogwarts, se não acordasse antes. Afinal, era claro que era tudo um sonho. Um
bizarro sonho. Eles entraram no trem, se separaram. Rupert notou que os Weasley
estavam todos com vestes da Lufa-Lufa e que Harry estava conversando num vagão
ocupado por alunos com uma cara de malvados. Talvez se tornariam sonserinos nas
próximas horas.
Sozinho, num vagão, Rupert passou a maior parte do tempo.
Até a entrada de uma linda menina. Ela tinha os cabelos cacheados e volumosos.
Era Hermione Granger.
-Olá! Eu sou Hermione Granger. Mas você deve conhecer os
Granger, tradicional família bruxa. Você deve ser o Weasley. Filho do ministro
da magia. Parabéns. - Hermione tinha o ar mandão tradicional dos livros, mas
era bruxa. Pelo jeito, era sangue puro. Isto definitivamente era mais uma
novidade. Era só mais uma, depois de descobrir que Neville não tinha um sapo,
mas um gato de estimação, que Luna na verdade era uma viciada em “frutas
sobrenaturais”, como dissera sua mãe, por influência do pai, que estava em
Azkaban por tráfico de cogumelos mágicos. Ela era criada pela mãe, que não
abandonara o hábito de “batizar” as refeições da filha, porque as tais frutas,
segundo ela, faziam bem á saúde. Como Rupert já sabia, Malfoy era um menino
simpático e logo eles se tornaram grandes amigos.
A viagem foi tranquila. Rupert comprou muitos doces do
carrinho do Senhor Filch, um adorável vendedor de doces. Não, ele não era mais
um zelador chato. Mas agora, que estavam todos em Hogwarts, sendo levados de
barco por Hagrid, um pequeno e bonito homem, que era o guarda-caças, Rupert não
se conteve e soltou exclamações ao ver de perto a sua tão desejada escola. E o
melhor! Uma escola bruxa! Hogwarts era um belo castelo. Os jardins eram muito
bonitos também e isto Rupert teve que concordar: pelo menos lá, estava tudo
normal. Agora, o que tomava os pensamentos dos novos alunos era a seleção. Pra
que casa iria Rupert?
Estavam todos em fila, seguindo pelo meio de todas as mesas
das casas. Na frente, a figura amável de Dumbledore, vista ao vivo pela
primeira vez. Mas seria mesmo a primeira vez? Se foi impressão ou não, Rupert
não soube, mas pareceu que Dumbledore havia piscado para ele. O garoto deixou pra pensar nisso depois,
afinal, o chapéu estava cantando:
Um visitante este ano nós temos
Pra mostrar que do mal fugir nós podemos
Pra provar que os trouxas são do bem
E que pra sempre estaremos bem
Atenção, valentes Grifinórios!
Ouçam bem, inteligentes Corvinais!
Os sedentos Sonserinos cautelosos devem ficar
Porque até mesmo os Lufanos deverão se superar.
Sem aplausos. Sem risos. Apenas silêncio. Ninguém entendeu o
que o chapéu quis dizer. Todos se olhavam. Os professores estavam
desconfortáveis. Os monitores ficaram tossindo. Dumbledore puxou as palmas e o
clima de tensão se quebrou. A cerimônia começou. Os nomes foram sendo chamados e
Rupert sabia a ordem de cor. Porém os resultados foram estranhos: Luna foi para
Lufa-Lufa, Harry foi para a Sonserina, Hermione para a Corvinal. Neville, que
estava com uma espécie de amuleto semelhante ao de Luna, provavelmente teria
ganhado dela, foi para a Grifinória, como nos livros. Malfoy se juntou á
Neville na Grifinória. Então se ouviu o nome de Rupert:
-Senhor Rupert Alden.
E então Dumbledore parou. Todos pararam. Era o último nome e
todos estavam com fome. Mas a atenção que Harry não teve e que deveria ter,
Rupert obteve. Obteve de Dumbledore.
E então, sem delongas, o chapéu falou.
CAPÍTULO 3
-Temos aqui um Weasley. Poderia te colocar na Sonserina,
como todos os seus irmãos. É inteligente, Corvinal te cairia bem também. Se
acha de lado em tudo? Lufa-Lufa seria perfeita. Mas o cotado para a vitória
deve ser o autêntico lutador. Você vai para a Grifinória!
O salão inteiro aplaudiu. Dumbledore sorria, os professores
sorriam. A mesa da Grifinória estava contaminada com uma imensa alegria. Ver de
perto toda a emoção e a tensão da seleção dos alunos era emocionante. Os pêlos
dos braços de Rupert estavam eriçados. Ele se sentia importante. Se sentia
parte de um time. O time da Grifinória. Já sentado á mesa, Malfoy parecia em
casa. Ou melhor, agora ele estava em casa. Neville comia como se o mundo fosse
acabar naquele momento. Por um instante pareceu que ele havia comido antes
mesmo da comida aparecer. Rupert parou de criticar Neville, agora seu amigo,
porque ele estava fazendo certo. A comida
era deliciosa.
O mais novo potteriano morador de Hogwarts estava com uma
coxa de galinha numa mão e suco de abóbora na outra. A boca estava cheia da
mistura de coisas que nem o mais inteligente dos homens poderia decifrar. Ao
virar o rosto, o garoto viu Luna. Como ela era bonita. A mesa da Lufa-Lufa se
transformou em um borrão e agora só era possível enxergar Luna. Será que a
loira, com olhos tão profundos –sim, profundos- estava olhando para ele ou era
impressão? A cutucada que Malfoy o deu mostrou que definitivamente não, não era
impressão. Luna piscou e quando um aceno estava sendo esboçado, todos se
viraram com um grito do chapeu seletor:
-Que que a senhorita está fazendo aí, hein, mocinha?- O
chapeu aparentava estar bêbado e se referia á Hermione que neste momento tentava,
sem nenhum sucesso, esconder o rosto. –Você tem que ir pra Grifinória, e não
pra Corvinal! Sai, sai, sai logo! –Se tivesse pernas, sem dúvidas o chapeu
estaria empurrando, ou pela fúria, chutando Hermione para a mesa da Grifinória.
A menina, atordoada, se defendeu:
-Mas, senhor, todos viram, você disse Corvinal!
Corvinaaaaal! E não Grifinória! –Com o tom de sabe-tudo da menina, Rupert
pensou afinal, que nem tudo estava perdido.
-Senhor Chapeu – interveio Dumbledore – Receio ter que
admitir, mas o senhor falou que nossa adorável senhorita Granger estava na
Corvinal. Aliás, o senhor está fora de si. Quantas vezes eu o disse para não
beber antes da cerimônia de seleção? – Ouviram-se risos. Fred e Jorge, na mesa
da Sonserina, pediam para todos ficarem quietos, porque isso era um desrespeito
á figura de Dumbledore e do pobre chapeu seletor. Distintivos de monitores
reluziam no peito dos gêmeos, que vistos ao vivo, não eram tão idênticos. – Mas
enfim, isso é coisa para se resolver depois. Afinal, para onde vai a senhorita
Granger?- Todos se voltaram para o chapeu, que agora dormia. Os olhares ficaram
então divididos entre Dumbledore, Hermione e o chapeu . Já que agora sem
chapeu, não existia seleção. Mas num passe de mágica, literalmente, Dumbledore
fez acordar um chapeu que nem parecia mais o mesmo. Com um ar sério, ele se
dirigiu á todos e com um ar de chapeu seletor, falou:
-Definitivamente, Grifinória! E se me perdoa – o chapeu
voltara-se para Dumbledore – isto não vai se repetir mais, professor.
-Continuemos o banquete. Resolvo isto depois. -disse
Dumbledore, sempre com um ar triunfal.
Hermione, ainda assustada, foi para a mesa da Grifinória e
sentou-se ao lado dos meninos. Ela resmungou algo parecido como “meu pai saberá
disso” e a noite prosseguiu. Aliás, foi uma noite e tanto. Após os incidentes,
Rupert percorreu o castelo e chegou ao seu dormitório. O dormitório dos alunos
do primeiro ano. A sua cama. A dúvida era se aquela seria sua cama por bastante
tempo. Rupert esperava que o sonho durasse muito tempo. Então, finalmente
repousou seu rosto no travesseiro. Ele iria dormir durante um sonho. Isto era
estranho. Mas a dúvida era: aquilo tudo era realmente um sonho?
Todos eram diferentes, Harry Potter era Harry, só Harry.
Hermione era sangue puro. Malfoy era grifinório. Luna havia piscado para ele. O
que era aquilo? Dumbledore também havia piscado para ele, agora Rupert
acreditava nisso. Sem dúvidas, a experiência com esses questionamentos que
Rupert obteve ao ler 64 vezes os 7 livros “Harry Potter” mostrou que tudo se
resolveria. Talvez amanhã, depois, dali a semanas, meses. Mas as respostas
viriam. Teriam que vir.
De repente, o garoto
se viu acordado, uma figura de preto em frente a sua cama. Sem hesitar, o
garoto perguntou:
-Quem é você?
Então, a figura deixou cair o seu manto preto. Por baixo,
via-se que era uma garota, com lingerie amarela. Sem ao menos se importar se os
outros garotos ouviriam, Luna Lovegood sussurrou:
-Me possua! – Com movimentos suaves, deitou-se na cama.
Rupert, mesmo sem saber se era isso que desejava, tentou fazer com que a menina
– e que menina - saísse da cama. Mas não conseguiu. Foi ao perceber que tudo aquilo
era impossível, já que ela tinha apenas 11 anos e que ele também mudara sua
idade ao passar para o mundo mágico, que tudo se dissolveu. E então Rupert
acordou. Já era dia em Hogwarts. Já era hora de se levantar. Como conseguiu,
com o ataque de risos que estava tendo, ninguém jamais saberia. Mas que havia
sido engraçado, havia. Ele estava em Hogwarts! Prestes a ter uma noite de amor
com Luna Lovegood! Pena que fora tudo um sonho.
-Bom dia.
-aaaaaaaaa! Ah! É você, Draco. Espera!É você?! Não foi um
sonho?! Eu estou em Hogwarts?
-Acho que sim. –disse Draco, hesitante.- Mas porque o espanto?
-Nada. – Rupert preferiu não comentar nada, afinal seria
chamado de louco e iria para o Hospital St. Mungus. E isto definitivamente não
estava nos planos de ninguém.
E então, Rupert percebeu. Na cama, estava um pedaço de
pergaminho. O pergaminho era prateado, parecia que estava enfeitiçado. O pedaço
de cordão que o envolvia era dourado e podia se enxergar, em preto, os dizeres:
Caro senhor Weasley
Alden;
Ao abrir o papel, mesmo receoso, o garoto lera:
O espero na minha
sala, após o almoço, para tratar assuntos de seu interesse. Espero que esteja
gostando de Hogwarts e do mundo dos bruxos. Desculpe, mas comi o doce que
estaria junto com o bilhete.
Grato pela atenção,
Professor Alvo Percival Wulfric
Brian Dumbledore, Ordem de Merlim, Primeira classe.
Então ele sabia? Então Dumbledore sabia que ele era trouxa!
“Espero que esteja gostando do mundo dos bruxos”. Isto foi uma insinuação, sem
dúvidas. Mas o que teria Dumbledore pra falar com Rupert? E agora que
percebera: Sim, ele era trouxa! Como iria participar de uma escola para bruxos?
Afinal, agora, depois de uma noite, todos sabemos: nada daquilo era um sonho.
CAPÍTULO 4
Novamente, desde que chegara á Hogwarts, Rupert deixou os
questionamentos de lado e passou a aproveitar sua passagem por ali. Juntos,
ele, Draco e Neville foram rumo á saída,onde encontraram Hermione chegando.
-Já tomou café, Hermione? – perguntou Neville.
-Ah, não. Eu estava no corujal, mandando uma correspondência
para meu pai. Ele precisa saber do que aconteceu ontem.
-Realmente, foi muito estranho. – disse Draco, olhando para
os amigos e novamente para Hermione – Mas não é de hoje que comentam que o
Chapeu sofre com o vício em bebidas alcólicas trouxas.
-Meu pai contou que quando ele foi criado, Salazar deixou
cair um litro de bebida, que ele usaria para uma poção, em cima do chapéu.
–Acrescentou Neville.
-Estranho, meu pai, que é o bruxo mais inteligente que
existe, nunca me contou nada. –Hermione mantinha seu ar de sabe-tudo e orgulho
do pai.
-Vamos tomar café? Minha barriga está doendo. –Disse Rupert,
massageando o abdome.
-Vamos. Afinal, a Lovegood-piradona deve ter te deixado
louco, não é mesmo. Falou o nome dela a noite toda. Sonhando com a viciada,
Weasley? – debochou Draco.
-Não sei do que você está falando. – Mas as bochechas do
pobre Rupert já o condenavam.
-Deixem pra lá essa conversa de meninos e vamos comer. Mas
antes, vou pegar meu exemplar de “Quadribol através dos séculos”, para uma
leitura básica. – Interveio Hermione.
Após a saída dos garotos, eles se dirigiram ao salão
comunal. Porém, Rupert gelou ao passar pelas escadas movediças. Na noite
anterior, ele estava cansado e pensativo o suficiente para não perceber onde
estava, mas agora, bem acordado, o menino, que tinha medo de altura, parou. A
altura era surpreendente e a escada se movia de uma forma assustadora. Claro,
os demais meninos não reclamaram de nada, mas ele se sentou. Não conseguiria
ficar em pé nem mais um instante.
-Algum problema, Rupert? – indagou Neville.
-As-escadas. –Rupert falou pausadamente, quase gemendo,
quase chorando, quase implorando para Merlin salvá-lo.
-Elas estão se movendo. Se movendo. Como sempre. – observou
Hermione.
-Este é o problema. – e então, num solavanco, as escadas
começaram a mudar de posição e o garoto se agarrou ainda mais aos degraus, que
para ele, eram a única forma de sobrevivência. A velocidade aumentou e para a
felicidade dos demais garotos e de um bom número de alunos das outras casas,
Rupert começou a gritar. –Pareeem! Pareeem! Eu quero a minha mãe! Eu quero a minha
casa! - O suor frio escorria pelo seu
rosto e seus amigos se deitaram nas escadas e começavam a rir e apontar para
ele. Somente Neville tentou acalmá-lo.
-Calma Rupert, calma!
-Fique bem aí! Essas-escadas- se-movem! – mais um movimento
brusco e agora Rupert chorava. –Pelas barbas de Merlin! Me deixem descer! Eu
quero descer! Socorro! Dumbledore! Mamãe! Qualquer pessoa! Faça isso parar! Eu
quero a minha mãe! –então o garoto começou a chorar desesperadamente. Todos
choravam também, mas de tanto rir. Neville, que até então estava sério, agora
segurava os risos também. Então a escada parou. Os garotos descera para o
saguão e Rupert parou de chorar. Esbaforido, se arrastou temendo e suando rumo
á “Terra Firme” e o que viu não foi a melhor coisa que alguém em uma crise de
nervos ou até mesmo com as vestes manchadas poderia ver. Na sua frente, estava
Minerva. A professora não era nenhuma senhora. Ou melhor, a idade poderia ser
avançada, mas o garoto não deixou de perceber os tons berrantes das cores das
suas vestes e da echarpe rosa Pink que a professora usava. O chapéu roxo não
contrastava com as vestes verdes limão e vermelhas. Os sapatos laranjas, que o
trouxa poderia ver bem, já que estava de quatro, em frente a professora, não
eram algo que se pode chamar de discretos.
-Pode me explicar o que foi isso, senhor? Por acaso o tem
problemas mentais ou algo do tipo? Faça-me o favor, chorando como trouxas
fariam na mesma situação.
-Eu-tenho-medo. Me-me-me-do. – o garoto tremia e
consequentemente gaguejava.
-Pois que isso não se repita. Menos 10 pontos para
Grifinória. Agora, vamos rumo ao café da manhã.
Durante a refeição matinal, o garoto recebeu os horários e
percebeu que naquele dia teria somente aulas de Poções, com o professor Snape e
de feitiços, com o professor Flitwick. A sua tarde estava livre para o encontro
com Dumbledore. Agora Rupert pensava no que aconteceria lá. Talvez se Luna
Lovegood tivesse aparecido no salão o garoto pudesse mudar seu pensamento, mas
isso não aconteceu. Foi somente quando todos estavam mortos de tanto comer
Bombinhas de Chocolate –que literalmente explodiam na boca e no estômago- e
Pão-de-Bruxo – um pão com formato de chapeu, que tinha um buraco maior do que
parecia por fora recheado com vários sabores- que a garota da Lufa-Lufa chegou.
Mas já estava na hora da partida. Rupert e os amigos se levantaram e o ruivo
não pôde deixar de notar que Dumbledore acenara para ele.
Pensando, Rupert prosseguiu para sua aula de Poções. Ele não
poderia deixar de pensar no que o aguardava. Snape. Severo Snape seria seu
professor de Poções e todos sabem que a fama do ex-comensal da morte não era
boa. Porém, o que se prosseguiu foi atípico e isto não é nenhuma novidade.
Enquanto todos aguardavam na fila, Rupert não pôde parar de
reparar no quão arrogante Harry Potter era. O garoto, acompanhado de outros
sonserinos, era sem dúvida nenhuma uma versão de Draco para aquela loucura que
ele se metera. Por um instante ele se perguntou afinal, o que seria aquilo. Foi
interrompido por uma olhada descarada que Luna havia dado para ele e não pôde
responder novamente. Snape abrira a porta e então as masmorras não eram as já
conhecidas masmorras.
Os alunos, em fila, foram entrando na sala que estava
decorada com uma faixa bem grande, com os dizeres “Sejam bem-vindos adoráveis
alunos” . Ao redor, figuras brilhantes de corujas enfeitavam a parede e no
teto, cordões com pássaros mágicos estavam pendurados. Borboletas usando óculos coloridos e cordões
havaianos surgiam das prateleiras, enfeitadas com portas-retrato que mostravam
um Snape alegre, com duas crianças que eram a sua cara, diga-se de passagem e
uma mulher. Uma linda loira. Aquela provavelmente era a família dele. O
professor recebia os alunos na porta, com um sorriso e palavras de boas vindas
e “oi, como vai seu pai?” “a poção que Lilian me pediu funcionou, Harry?” “O
senhor Xenofilio foi grandioso ao escrever a matéria sobre os zonzóbulos,
aqueles animais adoráveis” “A descoberta de seu pai no ramo das poções deveria
ganhar o prêmio Descoberta de Merlin, garoto”. Cada aluno era recebido com um
sapo de chocolate. O sapo de Rupert saiu pulando pela masmorra que mais parecia
um salão de festas muito bem decorado. Snape fitou Rupert e o garoto, ainda não
acostumado com a figura alegre e amigável do professor se assuntou quando o
professor falou:
-Ah, querido, pegue-o depois. Eles não pulam muito, sabe.
Você deve ser o Weasley. Espero que seja tão bom quanto seus irmãos. Os
adoráveis Fred e Jorge.
Sem ironia, sem piadas de mal gosto, sem insinuações
preconceituosas, sem repreensões. Este era Snape. Ele tinha uma família e era
feliz, ao que tudo indicava. Por um instante, Rupert se perguntou se esta não
deveria ter sido a história se Voldemort não tivesse feito horrores. Aliás,
onde estava Voldemort? Novamente, uma dúvida. Novamente, surpresas. E a aula
havia acabado. Uma boa aula. Isto era verdade.
Depois de capturar seu sapo de chocolate, os amigos se
dirigiram para a segunda aula do dia. Era a aula de feitiços agora. Rupert, sem
querer, deixou escapar:
-Vocês vão ver, o professor é bem pequeno. Ele tem sangue de
anão.
Hermione, Neville e Draco encararam o amigo.
-Acho que você se enganou, Rupert.-disse Hermione, olhando
para a porta da sala.
Na porta, estava a figura de uma pessoa. A maior pessoa que
Rupert havia visto em toda a vida. Era alto, porém magro. Era maior que Hagrid.
O Hagrid verdadeiro, não este homem “comum” que se dizia ser o guarda-caças de
Hogwarts naquele sonho ou seja lá o que fosse. O professor Flitwick tinha olhos
verdes, uma barba branca, de uns 3 centímetros e usava um chapéu azul. Suas
vestes eram cinza.
-Olá garotos. Bem vindos á aula de Feitiços. Podem abrir os
seus livros na página 4.
-Mas senhor – interveio Hermione- nós estamos no meio do
corredor.
-Ah, é verdade, que cabeça a minha. Entrem, entrem. E abram
o livro na página 6.
Os alunos entraram e quando iam se perguntar se a página a
ser aberta era a 4 ou a 6, o professor falou:
-Bem-Vindos á aula de Feitiços. Peguem suas varinhas. E
fechem os livros. –Com uma balançada, o professor fechou o livro de Neville e
tirou o pomo de ouro que Harry segurava das mãos dele.
-Senhor, o senhor mandou abrir os livros! – contestou
Neville.
-Eu não falei nada e a propósito, bem-vindo á aula de
Feitiços. Abram os livros.
-Rupert e Draco se olharam e resolveram abrir os livros. O
professor aparentava não ter um pingo de bom senso, mas era o professor,
afinal.
-Bem-Vindos á aula de Feitiços. Hoje estudaremos um feitiço
básico. Alguém sabe o que é?
Você deve saber quem levantou as mãos primeiro. Hermione
praticamente implorava com os dedos para ser ouvida, mas Rupert resolveu dar
uma de esperto e tirar vantagem do fato de conhecer a história toda.Levantou a
mão e com um aceno, o professor o mandou responder.
-É o Feitiço da Levitação, senhor.-Todos soltaram risinhos e
se olharam. Até mesmo o professor teve que se conter para não rir. Rupert se
perguntou o porque daquilo, mas teve medo da resposta.
-Qualquer trasgo sabe fazer um objeto levitar, senhor Alden.
Hoje nós estudaremos a Maldição da Morte.- Rupert arregalou os olhos e soltou
uma exclamação.
-Com medo da morte, Weasley? – provocou Harry. Como aquele
garoto era irritante!
-Abram os livros na página 5 e sejam bem-vindos á aula de
feitiços. Agora, peguem as mesas que apareceram na varinha e mecham suas
aranhas.
Todos riram. Coube á Hermione a função de corrigir o
professor, hesitante.
-Senhor?
-Sim? – o professor já estava pronto para a demonstração.
-O senhor quis dizer peguem suas aranhas e mecham as
varinhas, não?
-O que foi que eu disse? Não me interrompa, senhorita.
Preste mais atenção na aula.
E assim prosseguiu a aula. Claro, todos estavam cansados de
matar aranhas, mas Rupert estava espantado com tudo aquilo. Maldição da Morte
logo na primeira aula do primeiro ano? Ou melhor, ensiná-la pra um aluno! Isso
era horrível! Tirando o fato do professor ser louco da cabeça. Mas a aula
acabou. Todos iriam aproveitar para escrever para a família, visitar o lago,
jogar com os amigos já na sala da sua casa, mas Rupert tinha uma conversa com
Dumbledore. Ele acreditava que aquela seria a hora de conhecer as respostas
para todas as dúvidas. Dumbledore era um bruxo sábio e poderia ajudá-lo. E
então, tudo passou num piscar de olhos e Rupert se viu em frente á sala de
Dumbledore. Como entraria lá? E então, a bizarra professora Minerva apareceu no
corredor e disse:
-Aí está você, Weasley. Pois bem. Vamos entrar. –
Voltando-se para a estátua de entrada para a sala do diretor, a mulher falou: -
Chulé de trasgo
Rupert se conteve para não rir diante da cena e entrou.
Estava diante da porta do diretor quando pensou: “Vamos lá.”
E então a porta se abriu. Diante dele, a mesa do diretor e a
tão conhecida sala do diretor. Pelo menos tudo aquilo era normal. Minerva se
virou e foi embora. Dumbledore levantou a cabeça, sorriu, conjurou uma cadeira
e disse:
-Sente-se Rupert. Escute. O mundo dos bruxos depende disso.
CAPÍTULO 5
Vagarosamente, o garoto sentou-se na cadeira e fitou os
olhos azuis atrás dos óculos meia lua. Ele estava atordoado e embora Dumbledore
parecesse não notar, Rupert tremia descontroladamente.
-ã, senhor? Precisa de alguma coisa?
-Não, meu caro Rupert. Não agora – então o diretor deu uma
piscadela com o olho direito- A única
coisa que eu quero é que você me escute. – O tom calmo de Dumbledore era algo
incompreensível.
-Sim.
-Eu sei o que você é. Sei de onde vem. Sei exatamente o que
sente e o mais importante: sei o que está fazendo aqui. – o garoto só olhava. E
escutava, seguindo a recente ordem. – Rupert, você é trouxa. Um tipo de trouxa
não muito raro, pelo que pude saber. Você conhece a história. A nossa história.
Melhor: você conhece o futuro. Mesmo que isso seja uma coisa desagradável e
inoportuna.
-Desculpa senhor, mas a...
-Sim. Eu sei. A história parecia diferente. Mas ouça com
atenção o que eu tenho pra lhe dizer. Existe uma profecia, Rupert. Você, como
dumbledoriano...
-Potteriano, senhor. Potteriano.
-Exatamente. Você, como potteriano, sabe, naturalmente o que
é uma profecia. Pois eu receio dizer que uma destas profecias diz respeito á um
trouxa. Mais exatamente á você. Ao criar as horcruxes, coisa que você também
deve saber o que é, Voldemort lançou um feitiço. O feitiço mais poderoso de
todos que eu conheço. Um feitiço pior que o usado para criação de uma horcrux.
Um feitiço que une dois mundos completamente opostos. O dos bruxos e o dos
trouxas. E uma vidente, desconhecida, de poderes e astúcia tão raros quanto o
dito feitiço, viu que o feitiço havia sido conjurado. A profecia havia sido
feita. E como tal, iria se cumprir. A profecia conta que, usando uma
inteligência digna de um corvinal, mesmo que este não o seja, Voldemort lançou
tal feitiço, que serve para impedir a destruição de suas horcruxes. Até certo
ponto. Elas só seriam destruídas se um trouxa, que em tese desconheceria a
existência de tais coisas, penetrasse na mente do bruxo cuja alma seria
dividida e quebrasse o “selo mágico”. E aí é que entra a prova de coragem de
tal vidente.Ela sabia que Voldemort usaria de truques para acabar com qualquer
tipo de invasão trouxa em sua mente. Ouso dizer que em seu mundo. E ela efetuou
uma série de feitiços que deixariam atordoado em nosso mundo. Porém, salvo.
Para você chegar, o primeiro bruxo do bem que lesse a profecia teria que te
chamar. Acho que este sou eu. Então, quando você chegasse, encontraria tudo um
pouco diferente, mas como nem você, nem quem te chamou, nem Voldemort seriam
atacados por tal confusão, você seria orientado a fazer o que se deve. Isto é o
que neste exato momento eu estou fazendo. - Rupert só pôde suspirar. Ele não
entendera direito, era tudo muito complexo. A única coisa que sabia é que havia
sido chamado para quebrar um selo que impede a destruição das horcruxes. Ele
estava sendo protegido por um feitiço, que alteraria tudo, menos ele, o próprio
Voldemort e neste caso, Dumbledore. –Eu sei que isto é complicado para uma
cabeça trouxa, por mais esperta que seja, mas a verdade é esta. Você deve
quebrar o selo, Rupert.
-Então é por isso que tudo está de pernas pro ar?
-Sim. Ninguém sabe o que realmente está acontecendo e os
feitiços se desfarão quando o selo se quebrar.
-E onde está a tal
cartomante?
-Vidente, Rupert. A vidente efetuou feitiços que pessoas na
condição de saúde dela não deveriam. Então, o pior aconteceu.
-Ela morreu? Pra me proteger?
-Infelizmente sim.
Rupert ficou pasmo. De repente, tudo fez sentido. E logo em
seguida uma sensação de culpa surgiu. Seguida pelo medo. Se a vidente havia
morrido, imagine ele! Era uma magia forte que estava ali e ele, um trouxa,
deveria lutar contra ela! Lágrimas começaram a cair. Rupert devia lutar. Devia
salvar o mundo dos bruxos. Devia vingar a morte daquela que havia salvado sua vida.
Mais um sentimento se somou á ele e então a decisão estava tomada. Ele iria
lutar. Mas ainda havia dúvidas. –Senhor, se nem Voldemort, nem essas coisas
horríveis que acontecem, existissem, tudo isto seria real? Todas as histórias,
por mais loucas que sejam, seriam verdadeiras?
-Não devemos pensar no que aconteceria. Devemos pensar no
que está acontecendo. Mas algumas coisas, sim. As demais, não. A senhorita
Luna, por exemplo, deveria estar aqui somente no ano que vem. –Ao ouvir aquele
nome, Rupert gelara. Dumbledore sabia dos sonhos com Luna? Rupert achava que
não. –Mas não é porque está acontecendo na sua cabeça que não haveria de ser
verdade, Rupert.
-E se o selo for quebrado, tudo voltará a ser como antes?
-A maioria das coisas. Mas as horcruxes poderão ser
destruídas. Mas isto o futuro dirá.
-Eu conheço o futuro, posso ajudar.
-Sei que você sabe coisas que ninguém mais sabe Rupert.
Mas mexer com o futuro nunca é saudável.
Prefiro viver o presente e encarar o amanhã como este deve ser encarado.
-Mesmo se...
-Eu ficarei bem, Rupert. Agora, receio dizer que sua tarefa
não é fácil. Você entrará na mente do bruxo mais cruel de todos os tempos. Você
entrará na mente mais horripilante. Será pior que qualquer horcrux. Será pior
que tudo. Mas só você pode fazer isso. Só você tem sangue bruxo inativo.
-O que é isso, professor?
-Ancestrais seus eram bruxos. Você tem traços bruxos em seu
sangue. Mas ele é inativo, porque a grande maioria de você é trouxa. Mas mesmo assim, entre os trouxas, você é
único. Só você tem sangue desta forma e conhece Hogwarts e seus mistérios de
perto.
-Como falar com as cobras? Poucos nascem com esse dom?
-Sim. Agora, uma pergunta. Será difícil. Você quer ir?
Rupert pensou. Era necessário. Sem isso, o selo nunca seria
quebrado. Nada mais poderia ser feito. Era questão de tempo para Voldemort
surgir. E tudo estaria perdido. As mortes seriam em vão. A história seria
alterada. Sim, afinal, o bem não venceria no final e nada estaria bem. Os livros
não seriam mais os mesmos ou talvez nem existissem. Nenhum potteriano
existiria. Tudo estaria mais sombrio. Só ele poderia mudar isso. E seria ele
quem faria.
-Definitivamente, sim. Sim, eu lutarei, professor.
-Boa sorte, Rupert.
-Mas, professor? – o alto homem havia ido em direção a sua
mesa. Ao ouvir a voz de Rupert, ele se voltou para o garoto e o fitou parado.
-Sim?
-O que acontece se eu não conseguir?- Dumbledore pensou. Foi
até a janela. Olhou para o belo campo de Hogwarts. Parou. Suspirou. Falou.
-Estamos num caos. Os feitiços se tornariam eternos. E a
história,da forma como você conhece, seria falsa.
-Desconfiei.
-Você quer mesmo ir? – Agora o homem olhava para o garoto. O
bruxo olhava para o trouxa. Parecia que não era isso que Dumbledore queria. Se
pudesse, ele iria sozinho. Mas na verdade, só Rupert era capaz. Ele teria que
ser sacrificado. Assim como Harry seria.
-Sim.
Então Dumbledore ergueu a varinha e lançou sobre um quadro
vazio, que Rupert ainda não havia notado, um feitiço que fez brotar ali um
grande portal. O portal tinha a cor rosa e parecia ser formado por massa de
bolo numa batedeira.
-Entre aí, Rupert. E lembre-se: o bem sempre vence no final.
Rupert concordou com a cabeça e partiu rumo a um futuro
desconhecido. Ao chegar em frente ao portal, sentiu como se nada daquilo fosse
real. Como se tudo tivesse sido um devaneio e por um instante se perguntou se
aquela era a hora dele acordar dum sonho anormal. Mas como isso não acontecia,
ergueu o pé para dar o primeiro passo e foi interrompido por Dumbledore.
-Rupert?
-Sim. – agora era o garoto que havia parado e se virado para
Dumbledore.
-Vá com Deus. – Rupert pareceu atordoado. E então
questionou.
-Ele, - olhou brevemente para cima e teve vontade de apontar
– existe?
Dumbledore só riu.
-Trouxas... Sempre achando que são os seres superiores deste
mundo. Nem sempre o que não podemos é falso, Rupert.
O garoto concordou e partiu. Não houve gritos, nem dor, nem
vôos. Ele simplesmente surgiu. Num lugar parecido com o que ele havia visto
Dumbledore pela primeira vez. Porém, agora era tudo branco.
Como aquilo podia ser real? Não fazia sentido! Ao descobrir
que teria que entrar na mente de Voldemort, ele pensou ser algo bem pior. Mas
não era. Estava tudo branco e na sua frente, havia um baú. Nele, estava um
cadeado. O cadeado era dourado e dele saia uma luz que Rupert nunca havia
visto. Mas ela era hipnotizante. Chamava Rupert ao encontro dela. Era como se
ele precisasse daquilo mais que tudo na vida. Rupert correu. Ao encostar no
cadeado, algo inexplicável aconteceu. Imagine a sensação que você tem ao comer
sua comida predileta. Ao beijar a pessoa que você ama. Ao deitar-se na cama e
dormir, após um dia de esforço. Imagine a sensação que você tem ao rir sem medo
de nada. Ao estar com seus amigos, ao tirar uma nota 10. Imagine a sensação que
você sente quando ganha o último lançamento da sua série predileta ou a
sensação que sentiria ao estar frente á frente com seu ídolo. Imagine que tudo
de bom tivesse caindo em você. Agora junte todas essas sensações, aliadas ao
desejo desesperador de que aquele toque nunca acabasse. Aquela era a sensação
que Rupert sentia. Ele poderia pegar uma cadeira e sentar-se ali. Pelo resto da
vida. Não se importava que os outros precisassem dele, ele ficaria ali. Mas
então se lembrou do propósito da sua visita, e quando percebeu que teria que
largar aquele cadeado, por mais difícil que fosse, tudo escureceu.
Somente a luz do baú era visível. Nada mais. Então, uma voz,
horripilante, assustadora, a pior voz que um ser pode escutar, falou:
-Resista ao bem! Resista! Viu? O bem não é o melhor! Seja
mal! Seja mal! Escolha as coisas ruins e seja feliz!
-Cale a sua boca! – gritou Rupert para a voz, que parecia
ser a de Voldemort. –Lutarei até o fim! Você morrerá! O mal sempre perde, Lorde
das Trevas! – Rupert largou como um raio aquele cadeado e gritava com Voldemort
como se estivesse gritando com o cachorro que acasalava com a cadela da
vizinha.
-Resista, trouxa! Resista aos seus medos!
Ao ouvir aquela palavra, tudo gelou. “Medos”. Rupert estava
arrepiado! Parecia que todo aquele perigo estava sendo notado pelo seu cérebro
e Rupert desejou fugir dali. Mas era tarde demais. Ao seu lado, uma luz
vermelha e um homem aparatara.
-Eu tenho vergonha de você, seu idiota! Eu sempre desejei um
filho que fizesse as minhas vontades. Eu sempre desejei um filho que jogasse
futebol no time da escola. Um filho que eu tivesse orgulho de dizer que era meu
filho. Um filho que não me causasse vergonha perante meus amigos. – a figura do
pai de Rupert vinha na direção dele. – Seu idiota! Você é um fracasso, uma
verginha!
Mal teve tempo de chorar e Rupert já estava vendo ao seu
lado outra figura. Esta era a menina mais espetacular da face da terra. Como se
toda a beleza existente estivesse caído sobre uma menina só. Era Letícia, o
amor da vida de Rupert. A menina que o ignorara tantas vezes.
-Olha quem está aí! – a garota agora batia palmas,
ironicamente, indo rumo á Rupert- o feioso, verruguento, fedorento do Rupert
cara de cebola! – agora ela ria!- Francamente, pirralho, você pensou que eu, a
mais linda de todas as meninas lindas da face da terra, gostaria de ter alguma
coisa com você? – sem esperar resposta, ela cuspiu as palavras na cara dele-
Não! Óbvio que não! – agora fazia uma cara de nojo. – Você tem que se tornar
algo que é impossível se tornar. Nasça de novo! Quem sabe...
Rupert chorava descontroladamente. Todos os seus medos,
vergonhas, arrependimentos, culpas, estavam sendo jogados cruelmente pelas
piores pessoas na sua cara. Não que eles fosses más pessoas, mas
definitivamente, ali, naquela “encarnação” não eram. Mas quando todas as piores
sensações surgiram, Rupert se esqueceu do que viera fazer ali. Somente a dor
estava dentro dele. Mais nada. Então, do lado dele, surgiu um menino loiro,
alto, olhos azuis e roupas de marca. Ele tinha o cabelo lambido e era
extremamente lindo. Rupert viu nele desprezo. Somente isto estava estampado na
cara do menino-lindo.
-Rupert, seu grande bosta! – começou o garoto- Já parou de
chorar por ser pior que eu nos esportes, por ter sido pior que eu nas provas ao
longo do ano, por ter perdido a bolsa de estudos, a vaga em Harvard? Eu sou
melhor que você, seu merda, pobretão! – Agora, literalmente, Rupert havia sido
cuspido.
De repente, figuras assustadoras surgiram. Imagine bichos
papões, fantasmas, cobras, aranhas, cachorros bravos, seres do pior tipo
possível. Imagine todas as coisas que você teve medo na sua vida e agora
imagine elas subindo em você e te atacando. Isto era o que Voldemort estava
fazendo para derrotar Rupert. O garoto gritava, pensava em desistir, mas a
causa era maior. Ele precisava chegar ao baú, agora cada vez mais longe. De
repente, uma das piores cenas entre todas aquelas assustadoras figuras
vermelhas roubou a atenção de Rupert. Aquele que representava seu pai estava
agarrado na sua mãe, que surgira agora e batia nela incontroladamente. Ele
apontava para Rupert, falava com ela e batia. Batia de todos os jeitos, em todo
o corpo e a mulher não tinha forças nem para levantar ou gritar. As criaturas
se agarravam á todas as partes de Rupert e ele só pensava em correr para salvar
sua mãe. Quando chegou mais perto, ouvia: “Tome esta por botar esse garoto no
mundo, sua vadia”. “Tome essa por deixá-lo desse jeito” “Tome essa por não me
dar o filho homem do jeito que eu queria”. Rupert não sabia o que fazer. Eram
criaturas por todo lado e ele não conseguia chegar á sua mãe. Ele corria, mas
não saía do lugar. Ele deveria lutar contra Voldemort. Possibilitar a
destruição das horcruxes, mas não conseguia. Então, ele se lembrou. O bem
sempre vencia. O amor. A amizade. Todas as coisas boas que aconteceram na vida
dele. As loucuras com seus amigos, seu primeiro beijo, suas vezes no cinema
assistindo “Harry Potter”. As vezes que recebia presentes, abraços, beijos, do
pai e da mãe. Afinal, apesar da frieza, haviam momentos de amor com seu pai.
Raros, portanto mais valiosos ainda. Então ele se lembrou. Nada daquilo era
real. Era tudo um truqye de Voldemort. Seu pai não era um monstro e apesar de
chatos, Letícia e o menino-lindo não eram seres horríveis daquela forma. Então,
tudo se dissolveu. As criaturas, sempre imaginárias, desde a infância,
tornaram-se nada. Tudo sumiu. Sem perceber, Rupert estava sozinho na escuridão,
novamente e o baú estava na sua frente. Rupert fez o que deveria ser feito.
-Começa aqui e agora, a sua destruição, Tom! – da varinha de
Rupert surgiram seres azuis, lindíssimos. Não era o patrono, mas era lindo
aquele feitiço. O baú se quebrou. Lá dentro, não havia nada. Tudo havia
acabado.
-Você pagará, trouxa! – gritou a voz horripilante.
-Não. Agora é o começo do fim.
E então, como num passe de mágica, acabou. Tudo ficou banco
novamente e a mente de Voldemort parecia vazia. Definitivamente, naquele
momento, o resto da humanidade de Voldemort havia sido apagada. Deletada.
Morta. Voldemort teria o fim que merecia afinal. Então, estava Rupert parado,
naquela imensidão azul, idêntica á do seu sonho, o começo da aventura. Tudo
exatamente igual. Ele viu que Dumbledore chegava perto dele. Rupert sentia um
frio na barriga.
-Obrigado, Rupert. – falou Dumbledore.
-Obrigado por ter me colocado aqui, Dumbledore. Foi
maravilhoso viver em Hogwarts por um tempinho. Se não fosse a mente de
Voldemort, seria perfeito.
-Nada é perfeito, garoto. Mas não se deixe iludir. O que
acontece na mente dos outros lá deve ficar. Não se deixe levar pelo que ouviu.
Receio que foram coisas horríveis.
-Sim. Foram.
-Espero poder lutar contra isso. Espero ajudar a dar um fim
neste sofrimento.
Rupert quase disse que talvez isso não fosse possível,
afinal, Dumbledore morreria antes da grande batalha, mesmo tendo enfrentado
Voldemort antes. Porém, Dumbledore interrompeu o raciocínio de Rupert.
-Nos vemos em breve. –Dessa vez, Rupert sabia que não. Mas
enfim... Tudo acabou. A atmosfera sumiu, tudo sumiu e Rupert estava em seu
quarto, novamente. Definitivamente, nada havia sido um sonho. Mas o que havia
sido nunca ninguém soube. Afinal, Rupert ajudara no combate. E tudo estava bem.
Nenhum comentário:
Postar um comentário